Dados de 13 de janeiro de 2018, divulgados pela ONG Provea, mostram que a crise humanitária na Venezuela já atingia níveis extremos naquele período, com relatos de cidadãos consumindo alimentos destinados a animais devido à escassez e aos preços proibitivos de produtos básicos. Segundo a ONG, algumas famílias chegaram a ingerir salsichas para cachorro e ração de galinha, por serem mais acessíveis e renderem mais.
Carlos Patiño, diretor da Provea na época, explicou que esses produtos representam risco à saúde, pois o processamento não segue padrões de higiene adequados para consumo humano. “As pessoas estão comendo uma espécie de salsicha para cachorro, feita com partes não comestíveis do frango, como ossos triturados, penas, pele e cartilagem”, afirmou, acrescentando que médicos consultados alertaram sobre os perigos desse tipo de alimentação.
Além da escassez, os preços disparados agravavam a fome. Em 2018, o salário mínimo era de 456 mil bolívares, equivalente a cerca de US$ 2,5 no câmbio paralelo, enquanto itens básicos como açúcar e leite custavam grande parte da renda familiar. Naquele período, um quilo de açúcar chegava a 155 mil bolívares e um litro de leite a 60 mil, tornando o acesso a alimentos cada vez mais difícil.
A situação também gerou violência. Em Mérida, quatro pessoas morreram e 16 ficaram feridas em distúrbios ligados à falta de alimentos nas duas semanas anteriores à publicação. No total, sete mortes foram registradas em episódios semelhantes. Este episódio antigo ganhou nova repercussão com a prisão de Nicolás Maduro, reforçando o impacto prolongado da crise humanitária no país.
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