O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, classificou como uma possível *tragédia socioeconômica* a aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 pelo Senado. A medida foi aprovada em dois turnos, registrando 75 votos favoráveis e apenas um contrário, estabelecendo o encerramento da proporção de seis dias de trabalho por um de descanso e prevendo a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem alteração salarial.

Segundo o dirigente, o texto pode gerar graves dificuldades operacionais para empresas de diversos setores, além de impactar trabalhadores e consumidores. Solmucci afirmou que nenhum outro país adotou a proibição da escala por meio de lei, argumentando que a regra engessa as atividades econômicas e prejudica a prestação de serviços essenciais.

Entre as principais preocupações apontadas pelo setor está a escassez de profissionais para preencher os dias adicionais de folga. A estimativa da entidade é que seriam necessárias cerca de 3 milhões de novas contratações, enquanto o segmento de bares e restaurantes já opera com aproximadamente 500 mil vagas abertas.

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O presidente da Abrasel destacou que a falta de trabalhadores disponíveis poderá resultar na precarização dos serviços e na necessidade de estabelecimentos reduzirem ainda mais os dias de funcionamento semanal. Além disso, os custos operacionais com pessoal devem subir em torno de 20%, com repasses parciais para o preço final cobrado dos clientes.

Solmucci também questionou a eficácia da manutenção salarial diante de uma provável inflação decorrente da nova jornada. Em sua avaliação, o aumento no custo de vida reduz o poder de compra da população, o que desestimulará o consumo em setores como alimentação fora do lar, viagens e serviços de saúde.

Como alternativa regulatória, a associação defendeu a adoção do modelo de contratação por hora para garantir maior flexibilidade às relações de trabalho. O dirigente mencionou que mantém tratativas com grupos políticos e relatou promessas de aliados de candidatos para priorizar a pauta caso haja mudanças na gestão federal.

Por fim, o representante criticou a condução da votação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acusando a mesa diretora de acelerar o rito processual em razão do calendário eleitoral. A entidade também apontou a existência de um cenário de acentuada insegurança jurídica no país, sem descartar questionamentos sobre os próximos passos da tramitação institucional.