A decisão do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro de votar a favor da PEC que prevê o fim da escala 6x1 contrariou a vontade de seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho. O parlamentar, que historicamente defende a implementação da jornada flexível, precisou ceder e saiu enfraquecido da disputa política, gerando um desgaste interno na equipe. Na perspectiva do coordenador, a adesão à proposta traria pouco ganho eleitoral e contrariava a linha seguida no plano de governo.
Rogério Marinho, que atua como líder da oposição na Casa, foi o relator da Reforma Trabalhista de 2017 e possui um trabalho de longa data voltado à revisão das leis trabalhistas. Quando a PEC do fim da escala 6x1 chegou ao Senado, ele apresentou uma proposta alternativa baseada na remuneração pelas horas trabalhadas, contando com o apoio do meio empresarial. Flávio chegou a defender o texto alternativo, mas recuou às vésperas da votação devido à possibilidade de repercussão negativa.
A divergência provocou insatisfação interna, pois o coordenador avaliava que o candidato deveria enfrentar as críticas e manter a posição inicial. Segundo a avaliação da coordenação, o presidenciável teria pouco ganho político ao apoiar uma pauta associada à marca do governo Lula e estaria agindo motivado pelo receio, e não pela escolha da melhor proposta técnica. Voto vencido, Marinho precisou recuar, mas manifestou descontentamento com o embate e optou por se ausentar da votação realizada na última quarta-feira.
Apesar do racha, a proposta acabou sendo aprovada no Senado com setenta e cinco votos favoráveis, incluindo o apoio de Flávio Bolsonaro e de outros parlamentares da legenda. Para tentar compensar a insatisfação que também atingiu o setor empresarial, o candidato e seus aliados passaram a discutir alternativas para contornar a nova jornada caso ele vença o pleito. A própria equipe do candidato reconhece, contudo, a dificuldade jurídica da medida, visto que a alteração no Artigo 7º da Constituição envolve direitos de natureza de cláusula pétrea.
Desde que declarou apoio à PEC, Flávio não participou de novas coletivas de imprensa. A campanha tem monitorado com atenção o desaceleramento do candidato nas pesquisas de intenção de voto e evitado exposições públicas enquanto ele lidera os levantamentos.