O senador Cid Gomes (PSB), reeleito pelo Ceará no último domingo (4), com 31,22% dos votos, concedeu entrevista ao CE1, da TV Verdes Mares, nesta quarta-feira (7). Durante a conversa, o parlamentar comentou a relação com o irmão, Ciro Gomes (PSDB), defendeu o fim da escala 6x1 e falou sobre as estratégias para ampliar a votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
Cid Gomes é o primeiro senador reeleito pelo Ceará desde a redemocratização. Ele foi eleito pela primeira vez para o Senado em 2018, quando também alcançou uma das maiores votações já registradas no estado para o cargo.
Críticas à postura de Ciro Gomes
Ao comentar a reação de Ciro à derrota para Elmano de Freitas na disputa pelo Governo do Ceará, Cid afirmou que o irmão poderia ter adotado uma postura diferente após o resultado das urnas.
Ciro declarou que considera que a eleição no Ceará foi “tomada” e informou que pretende apresentar uma reclamação à Justiça sobre o resultado. A assessoria do ex-candidato também afirmou que ele pretende pedir a anulação da eleição para o governo estadual.
Cid criticou a postura, mas disse que Ciro tem o “direito de espernear”. Para o senador, seria mais adequado reconhecer a vitória do adversário e apresentar publicamente qual seria sua posição política diante do novo governo.
“Eu acho que teria sido mais elegante reconhecer a vitória, cumprimentar o governador, dizer qual seria a sua posição — se é uma posição de diálogo ou se é uma posição de oposição.”
Questionado sobre uma possível retomada da relação política com o irmão, Cid afirmou que a relação familiar permanece separada das divergências políticas. Ele também voltou a criticar as alianças formadas por Ciro durante a campanha, citando o apoio a Capitão Wagner e André Fernandes.
Segundo Cid, enquanto o irmão seguir nesse caminho político, não haverá diálogo entre os dois nesse campo. “A relação familiar a gente deixa para o plano familiar”, declarou.
Cid defende fim da escala 6x1
Durante a entrevista, o senador também defendeu a proposta que prevê o fim da escala 6x1. A PEC em tramitação no Senado estabelece mudanças na jornada de trabalho e prevê dois dias de descanso por semana, sem redução salarial.
Cid afirmou que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais não provocaria uma desaceleração da economia brasileira. Para ele, a discussão também evidencia diferenças entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial.
“Vai morrer a atividade econômica no Brasil se baixar para 40? Claro que não. Quem está do lado dos trabalhadores, para assegurar aos trabalhadores dois dias inteiros de descanso, é o presidente Lula.”
A PEC 221/2019 começou a ser debatida no plenário do Senado na terça-feira (6). O tema passou a ocupar espaço na disputa presidencial, com os dois candidatos sendo pressionados a apresentar suas posições sobre a proposta.
Estratégia para ampliar votação de Lula
Cid Gomes também contou que se reuniu com Lula na segunda-feira (5), em Brasília, para discutir estratégias para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
De acordo com o senador, uma das prioridades apontadas no encontro é buscar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Entre os públicos mencionados estão moradores da zona rural e pessoas mais idosas, que, segundo Cid, podem ter maior proximidade com a candidatura petista.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula no resultado nacional, com 47,03% contra 45,16% dos votos. No Ceará, entretanto, Lula teve desempenho superior, com 63,29% dos votos, enquanto Flávio alcançou 31,27%.
A campanha petista no estado busca agora ampliar essa vantagem no segundo turno. O governador reeleito Elmano de Freitas já afirmou que pretende trabalhar para que Lula ultrapasse a marca de 70% dos votos no Ceará.
Ao falar sobre a disputa, Cid afirmou que Lula deve reforçar a comunicação com os trabalhadores e apresentou sua própria avaliação sobre a diferença entre os dois candidatos, associando o petista à defesa dos trabalhadores e Flávio Bolsonaro a setores mais ricos da população.