Todas as 6.868 agências dos Correios no Brasil que contam com o serviço Balcão Cidadão passaram a disponibilizar, nesta quarta-feira, a coleta gratuita de eletroeletrônicos pós-consumo. A iniciativa coincide com o Dia Internacional do Lixo Eletrônico e tem como objetivo facilitar a destinação correta de equipamentos de até 30 quilos que encontram-se sem uso nas residências.

A nova facilidade integra o Sistema de Logística Reversa Circulare, fruto de uma parceria com a empresa Circular Brain, que já realizava o recolhimento gratuito de grandes eletrodomésticos. Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, a capilaridade da estatal ajuda a população a encontrar um destino adequado para os aparelhos no dia a dia.

O atendimento contempla itens de pequeno porte, como celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido e cabos. Esses materiais precisam ser acondicionados pelo próprio cidadão em uma caixa aberta de até 1 metro cúbico. Por outro lado, o sistema não aceita o descarte de pilhas, baterias e lâmpadas nas agências.

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Durante o atendimento presencial, o cliente entrega o volume para que o atendente realize a checagem do conteúdo. Na sequência, é preciso informar dados como nome, CPF, endereço, e-mail e telefone para a emissão de um comprovante de envio, enquanto o fechamento da embalagem ocorre no próprio local.

Todo o processo de transporte conta com rastreamento até a destinação final. Cada equipamento é encaminhado ao parceiro do sistema de logística reversa que esteja devidamente homologado junto à rede de atendimento dos Correios.

De acordo com Marcus Oliveira, diretor executivo da Circular Brain, muitas pessoas guardam esses itens em casa por falta de pontos de entrega voluntária ou por desconhecimento. A proposta é permitir que a população junte os aparelhos e aproveite uma ida à agência para realizar o descarte.

Dados do Monitor Global de Resíduos Eletrônicos da Organização das Nações Unidas de 2024 apontam que o Brasil ocupa a posição de terceiro maior gerador de resíduos eletrônicos na América do Sul. O país produz 2,4 milhões de toneladas ao ano, mas apenas 3% desse volume passam por coleta.

A legislação brasileira, por meio da Política Nacional de Sólidos e de decreto específico, obriga fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a estruturarem a logística reversa. As normas estipulam metas de coleta e exigem a criação de pontos de entrega distribuídos pelos municípios.

Além de evitar a contaminação do solo e da água e reduzir riscos à saúde humana, o descarte correto evita o desperdício de matéria-prima. Quando ficam parados nas residências, os eletrônicos deixam de ser reciclados e exigem nova exploração do meio ambiente para suprir a indústria.