Seguir recomendações de medicamentos divulgadas por criadores de conteúdo em redes sociais representa um risco considerável para a saúde da população. O alerta é do farmacêutico e professor Paulo Arrais, que destaca os perigos da automedicação e do autodiagnóstico estimulados por plataformas digitais como o TikTok. A prática de adotar orientações sem avaliação profissional pode levar a reações adversas e agressões ao organismo.
Segundo o especialista, o principal problema reside no fato de que os influenciadores digitais desconhecem as condições clínicas, o estilo de vida e as necessidades individuais de quem consome seus conteúdos. Um produto ou suplemento que produz determinado efeito em uma pessoa pode ser totalmente inadequado para outra, gerando riscos de reações indesejadas e uso desnecessário de substâncias.
A divulgação de vitaminas, suplementos e remédios para fins estéticos ou de emagrecimento também preocupa os profissionais da saúde. O consumo sem acompanhamento médico impede que se trate a verdadeira causa de um problema, podendo mascarar doenças graves e provocar danos ao organismo, além de interações medicamentosas perigosas.
A automedicação envolve ainda o uso incorreto de doses, tempos de administração inadequados e o perigo de reações alérgicas ou distúrbios gastrointestinais. O uso prolongado e excessivo de analgésicos e anti-inflamatórios, por exemplo, pode resultar em problemas renais severos e no chamado efeito rebote, quando a dor de cabeça passa a se repetir com maior frequência.
Além das redes sociais, a busca por diagnósticos por meio da internet e de ferramentas de inteligência artificial é apontada como uma conduta perigosa. O farmacêutico ressalta que essas tecnologias não realizam exames físicos ou investigações detalhadas, limitando-se a responder com base na descrição fornecida pelo próprio usuário.
Manter farmacinhas domésticas com sobras de tratamentos anteriores também favorece a prática inadequada da automedicação. O armazenamento incorreto de remédios em locais úmidos, como banheiros, pode comprometer a qualidade dos produtos e representar riscos de intoxicação acidental para crianças que tenham acesso aos itens.
Diante desses riscos, a orientação é buscar sempre a avaliação de profissionais qualificados antes de iniciar qualquer tratamento ou consumo de substâncias. O farmacêutico pode auxiliar no esclarecimento de dúvidas sobre dosagens, formas de administração e interações, servindo como suporte essencial para a segurança do paciente.
A população que precisar de orientações sobre o uso correto de medicamentos pode recorrer ao Centro de Informação sobre Medicamentos, vinculado à Universidade Federal do Ceará. O serviço mantém atendimento telefônico para a comunidade por meio do número 85 3366-8293.