O influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, de 27 anos, revelou ter sido diagnosticado com fobia social em um vídeo publicado no YouTube na madrugada desta terça-feira (20). A publicação marcou seu retorno à plataforma após mais de um ano afastado.
Durante o depoimento, Felca relatou os impactos do bullying físico e psicológico que sofreu durante oito anos no período escolar, em Londrina, no Paraná. Ele também contou que enfrentou dificuldades para participar de situações sociais e que recorreu ao consumo de álcool para conseguir lidar com compromissos públicos e gravações.
O relato chamou a atenção para uma condição que vai além da timidez e pode provocar sofrimento significativo. Mas, afinal, o que é a fobia social, quais são os sintomas e como funciona o tratamento?
O que é fobia social?
A fobia social, também conhecida como transtorno de ansiedade social, é uma condição de saúde mental caracterizada pelo medo intenso e persistente de situações em que a pessoa acredita que pode ser observada, julgada, criticada ou constrangida por outras pessoas.
Esse medo pode aparecer em atividades comuns, como conversar com desconhecidos, participar de reuniões, falar em público, conhecer pessoas novas, comer diante de outras pessoas ou frequentar eventos sociais.
Quem convive com o transtorno pode temer demonstrar nervosismo, cometer erros ou agir de uma maneira considerada inadequada. Em consequência, algumas pessoas passam a evitar determinadas situações, mesmo quando isso prejudica seus relacionamentos, estudos, trabalho ou outras atividades.
A fobia social não deve ser confundida com a timidez. Embora as duas possam envolver desconforto em situações sociais, o transtorno de ansiedade social pode provocar medo intenso, sofrimento persistente e limitações importantes na rotina.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas variam de uma pessoa para outra e podem envolver reações físicas, pensamentos negativos e mudanças de comportamento.
Entre as manifestações físicas estão:
Aceleração dos batimentos cardíacos;
Tremores e suor excessivo;
Rubor facial;
Náuseas ou desconforto no estômago;
Sensação intensa de ansiedade diante de situações sociais.
Também podem surgir sintomas emocionais e comportamentais, como medo de ser ridicularizado, preocupação excessiva com a opinião alheia, ansiedade antes de compromissos, dificuldade para iniciar conversas e tendência a evitar encontros ou lugares movimentados.
Em algumas situações, a pessoa começa a recusar oportunidades profissionais, acadêmicas ou pessoais por receio de enfrentar o julgamento de outras pessoas.
Para caracterizar o transtorno, o medo e a ansiedade precisam ser persistentes e provocar sofrimento significativo ou prejuízos na vida cotidiana. A avaliação deve ser feita por um profissional de saúde mental, que considera os sintomas, sua duração e os impactos na rotina.
Qual é a relação entre bullying e fobia social?
No vídeo, Felca associou suas dificuldades atuais às experiências de bullying físico e psicológico vividas durante a infância e a adolescência.
Situações repetidas de humilhação, rejeição e agressão podem afetar a autoestima e a maneira como uma pessoa percebe as relações sociais. Depois de passar por experiências negativas, alguém pode começar a antecipar novas situações de constrangimento e sentir medo de ser julgado ou rejeitado.
A médica Priscila F. Telles, citada no material que serviu de base para esta reportagem, explica que experiências negativas repetidas podem afetar a autoestima, a percepção de segurança e a interpretação das relações sociais.
No entanto, é importante destacar que o bullying não provoca necessariamente fobia social em todas as pessoas. O desenvolvimento do transtorno envolve diferentes fatores, e cada indivíduo pode reagir de uma maneira às experiências vividas.
Fobia social pode levar ao consumo excessivo de álcool?
Outro ponto abordado por Felca foi o uso de bebidas alcoólicas para enfrentar situações sociais. Segundo o influenciador, o comportamento evoluiu para um quadro de dependência alcoólica.
Em algumas pessoas com ansiedade social, o álcool é utilizado como uma tentativa de diminuir temporariamente a inibição e o desconforto em ambientes com outras pessoas. Apesar da sensação inicial de alívio, essa estratégia pode trazer riscos e não trata a causa da ansiedade.
O uso frequente pode favorecer a dependência e criar a impressão de que a pessoa só consegue participar de eventos, conversar ou realizar determinadas atividades depois de beber. Com isso, o consumo pode se tornar um mecanismo de enfrentamento difícil de abandonar.
O relato de Felca também destaca os riscos desse comportamento. O influenciador contou que sofreu um acidente após consumir álcool para conseguir realizar uma gravação externa e fraturou duas costelas.
Quando alguém sente que precisa beber para enfrentar situações sociais, é importante buscar orientação profissional. O acompanhamento adequado pode ajudar a tratar tanto a ansiedade quanto eventuais problemas relacionados ao consumo de álcool.
Como é feito o tratamento?
A fobia social pode ser tratada, e o acompanhamento adequado ajuda a pessoa a desenvolver recursos para enfrentar situações que provocam medo e ansiedade.
Uma das principais abordagens é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), modalidade de psicoterapia que trabalha pensamentos, emoções e comportamentos relacionados ao transtorno. O tratamento pode incluir exercícios para questionar o medo de avaliações negativas e a exposição gradual a situações sociais, respeitando os limites e as necessidades de cada paciente.
Em determinados casos, o acompanhamento psiquiátrico e o uso de medicamentos também podem ser indicados. A necessidade de medicação deve ser avaliada por um profissional habilitado, e o tratamento precisa ser individualizado.
O apoio de familiares, amigos e outras pessoas de confiança também pode contribuir para o processo. Acolhimento, respeito e compreensão são importantes para evitar que o indivíduo se sinta pressionado ou ainda mais isolado.
O desafio proposto por Felca
Além de falar sobre o diagnóstico, Felca relatou ter passado cinco meses sem sair de casa antes de gravar o vídeo. O influenciador também anunciou o desafio #SimFel, uma iniciativa de três meses em que pretende aceitar convites e oportunidades sociais que normalmente recusaria por medo ou desconforto, incentivando seus seguidores a participar.
A proposta foi apresentada como uma forma de enfrentar gradualmente situações que provocam ansiedade. No entanto, o processo de cada pessoa deve respeitar suas condições e, quando necessário, contar com orientação profissional.
A fobia social não é falta de vontade, fraqueza ou simplesmente vergonha de conversar. É uma condição que pode afetar diferentes áreas da vida e que merece atenção e cuidado. Reconhecer os sintomas e buscar ajuda são passos importantes para melhorar a qualidade de vida.
