A Justiça determinou a soltura de um homem e uma mulher presos com R$ 600 mil em espécie no município de Itapipoca, no Ceará. A decisão estabeleceu o pagamento de fiança de R$ 150 mil para a mulher e R$ 50 mil para o homem, totalizando R$ 200 mil.

A dupla foi presa durante uma abordagem realizada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). O caso é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes contra a Administração Pública, entre outras possíveis infrações penais.

Segundo a Polícia Federal, os agentes receberam informações de que os investigados transportariam o dinheiro em um veículo para dificultar o rastreamento dos recursos. Ainda conforme a corporação, os suspeitos não apresentaram justificativa considerada plausível para transportar a quantia em espécie nem para não utilizar o sistema bancário.

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As investigações também apontaram uma possível incompatibilidade entre a situação financeira dos investigados, a movimentação frequente de dinheiro em espécie e a aquisição de veículos. A origem e o destino dos R$ 600 mil continuam sob apuração.

Durante a abordagem, a mulher declarou que o dinheiro seria proveniente da venda de pó de carnaúba para uma empresa sediada em Fortaleza. Segundo ela, os recursos seriam utilizados para pagar trabalhadores rurais e cobrir outras despesas.

O advogado Igor Cesar Rodrigues, responsável pela defesa dos investigados, afirmou que saques em espécie são comuns no setor da carnaúba, especialmente para pagamentos a fornecedores e trabalhadores rurais. A defesa sustenta que a origem lícita dos valores será demonstrada e considera a prisão desnecessária e desproporcional.

Na decisão, o juiz Ricardo Ribeiro Campos afirmou que os valores das fianças são proporcionais à situação econômica de cada investigado e suficientes para assegurar o comparecimento aos atos da investigação e de eventual processo, sem se tornarem inviáveis.

Além de conceder a liberdade provisória mediante o pagamento das fianças, a Justiça determinou a quebra do sigilo dos dados telefônicos armazenados nos celulares apreendidos. Os aparelhos serão analisados pela investigação, e o dinheiro apreendido também será submetido a procedimentos de apuração. Os investigados não foram condenados, e as suspeitas seguem sob investigação.