O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condicionou sua participação no debate da TV Globo, na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, à autorização do senador Flávio Bolsonaro para a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O posicionamento foi anunciado nesta terça-feira durante ato político realizado em Juazeiro, na Bahia, reunindo apoiadores locais e também de Petrolina, em Pernambuco.
Durante o encerramento de seu discurso, o chefe do Executivo declarou que só enfrentará o adversário no debate televisivo caso seja apresentado um documento autorizando a abertura das informações sigilosas. A mobilização contou com a adesão de militantes, que entoaram palavras de ordem exigindo a publicidade dos dados do parlamentar do Partido Liberal.
A exigência ganhou maior repercussão após a defesa do presidente protocolar no Tribunal Superior Eleitoral um pedido de quebra dos próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico, estendendo a medida aos seus familiares referentes aos últimos oito anos. Essa iniciativa, contudo, foi condicionada à adoção da mesma conduta por parte de Flávio Bolsonaro.
O embate sobre a abertura de dados e patrimônio ganhou força após o debate presidencial realizado pela Band no último domingo, ocasião em que os dois candidatos trocaram acusações sobre corrupção. Durante o confronto eleitoral, Flávio Bolsonaro mencionou suspeitas envolvendo um dos filhos do presidente, enquanto Lula cobrou explicações sobre a origem de recursos utilizados na compra de um imóvel.
Na mesma ocasião, o petista citou supostas negociações financeiras relacionadas ao financiamento de uma produção cinematográfica e atribuiu o teor das discussões a tratativas envolvendo o senador e o setor bancário. O prazo estipulado para a resposta à proposta protocolada no Tribunal Superior Eleitoral encerra-se nesta quarta-feira.