Um investigador da Polícia Civil do Ceará tornou-se réu na Justiça e vai responder por corrupção ativa e tentativa de fraude processual. O processo envolve a acusação de que o agente teria tentado subornar um colega de farda para reaver um aparelho telefônico apreendido durante uma operação policial realizada no ano passado. O caso tramita no Poder Judiciário e mobiliza órgãos de controle e fiscalização da segurança pública no estado.
A acusação aponta que a tentativa de suborno ocorreu em julho de 2025, dias depois da deflagração da Operação Tropa do Empresário pela Polícia Civil. A força-tarefa investigava um esquema de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atribuídas a uma facção criminosa com atuação em vários estados. O celular que motivou a investida pertencia a um dos alvos da operação e continha dados considerados relevantes para o andamento das apurações.
Segundo o inquérito, os dois policiais se encontraram no estacionamento de uma concessionária localizada no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza. O investigador alvo da denúncia teria oferecido valores entre dez mil e cinquenta mil reais para recuperar o dispositivo eletrônico e impedir a extração das informações armazenadas. A investigação aponta que a negociação ilícita evitou um flagrante imediato devido à ausência de testemunhas e elementos probatórios no momento do encontro.
Inicialmente, a acusação também imputava ao réu o crime de embaraço à investigação de organização criminosa. No entanto, o colegiado da Vara de Delitos de Organizações Criminosas rejeitou essa imputação específica por entender que não havia comprovação de vínculo estrutural com facção. Com a decisão, os autos foram remetidos para a Justiça Criminal comum de Fortaleza para o prosseguimento da ação penal.
Em nota oficial, a defesa do policial civil ressaltou o entendimento da Vara especializada e reiterou a confiança na absolvição. Os advogados destacaram os anos de atuação do agente na segurança pública sem registros anteriores de processos judiciais. A defesa afirmou ainda que o encontro ocorreu com outros objetivos profissionais relacionados ao apoio a uma operação e que os fatos serão devidamente esclarecidos durante a instrução processual.
Em paralelo à ação penal na esfera judicial, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar. O processo administrativo segue em trâmite para apurar a conduta do agente no âmbito funcional. O Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará pontuou que o investigado atua na diretoria da entidade, mas ressaltou que os fatos refletem uma conduta individual e não possuem relação com a atividade institucional.