A agência reguladora de saúde da Rússia afirmou nesta quarta-feira (7) que não há risco de uma epidemia na Sibéria após a morte de uma funcionária de um instituto de pesquisa sobre a peste. A mulher, de 28 anos, morreu na última sexta-feira (2) após desenvolver uma pneumonia cuja origem ainda não foi determinada.
O caso provocou preocupação internacional e chamou a atenção de autoridades de saúde de diferentes países. Cerca de 200 pessoas foram inicialmente colocadas em quarentena como medida de precaução após terem tido contato com a funcionária.
Quarentena é encerrada
O Rospotrebnadzor, órgão de vigilância sanitária da Rússia, informou que as medidas de precaução estão sendo encerradas após a realização de exames entre as pessoas que tiveram contato com a funcionária.
De acordo com a agência, não foram detectados casos da doença entre os contatos de Darya Shipilova. Cerca de 90% das pessoas que estavam em quarentena já foram liberadas, após quase 5 mil testes laboratoriais não identificarem patógenos considerados perigosos.
A agência também afirmou que Shipilova havia sido vacinada e, por isso, estava protegida contra as infecções consideradas perigosas com as quais trabalhava. As autoridades, no entanto, ainda não esclareceram qual foi a causa exata da pneumonia nem como a funcionária contraiu a doença.
Com base nas informações divulgadas até o momento, a avaliação da OMS é de que o risco para a população em geral na Rússia permanece baixo.
OMS pede mais informações
Apesar da avaliação russa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou informações adicionais para entender o caso. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a entidade busca esclarecer a causa da pneumonia grave e identificar o possível agente responsável.
A OMS também pediu esclarecimentos sobre relatos de que uma segunda pessoa na Sibéria teria apresentado pneumonia de causa indeterminada.
A organização destacou que o compartilhamento rápido, completo e transparente de informações é necessário para esclarecer versões conflitantes e permitir uma avaliação adequada de possíveis riscos à saúde pública.
O Kremlin afirmou que a Rússia comunicou o caso à OMS de acordo com os procedimentos estabelecidos. O porta-voz Dmitry Peskov também pediu cautela em relação às informações divulgadas pela imprensa e afirmou que grande parte das notícias sobre o caso seria falsa.
Segunda morte não foi confirmada
Alguns veículos de comunicação ocidentais divulgaram relatos, atribuídos a fontes não identificadas da mídia russa, sobre uma possível segunda morte na Sibéria relacionada à doença.
Até o momento, porém, não foram encontradas evidências que confirmem a ocorrência. Também não foram localizadas notícias na imprensa russa que comprovassem uma segunda morte relacionada ao caso. Algumas afirmações circularam nas redes sociais, mas sem apresentação de provas.
A causa da morte de Shipilova continua sendo investigada. Pneumonia pode ser provocada por diferentes agentes, incluindo bactérias e vírus, e o caso ainda não foi oficialmente relacionado à peste pneumônica ou a outra doença específica.
A OMS informou que não tinha novas informações além das declarações feitas por Tedros, enquanto autoridades russas mantêm a avaliação de que não existe, até o momento, risco de epidemia na região.