O setor supermercadista no Ceará estuda diferentes alternativas operacionais para se adaptar às novas regras trazidas pelo fim da escala 6x1 de trabalho. Entre as medidas avaliadas pelas empresas estão a reorganização das escalas de trabalho, novas contratações, investimentos em automação e a revisão dos horários de funcionamento.
A Emenda Constitucional 141, que foi aprovada pelo Senado Federal e promulgada recentemente, garante dois dias de repouso semanal remunerados aos trabalhadores e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas.
Diante desse novo cenário, as entidades representativas e os estabelecimentos do setor analisam pontos específicos para mitigar os impactos financeiros e operacionais nas lojas.
Um dos temas que estão no radar, embora de forma ainda incipiente, envolve a possibilidade de reduzir o funcionamento em horários considerados extremos e concentrar a força de trabalho nos períodos de maior pico de atendimento.
Segundo o secretário executivo da Associação Cearense de Supermercados, Antonio Sales, o setor também avalia a montagem de escalas de revezamento dinâmicas para distribuir as folgas entre os dias de menor movimento.
Essa distribuição deve se concentrar principalmente entre os dias de segunda a quarta-feira, com o objetivo de manter o atendimento adequado aos consumidores nos fins de semana.
As possibilidades de adaptação, no entanto, variam de acordo com o porte de cada estabelecimento comercial no estado.
Enquanto as grandes redes possuem maior capacidade de investir em tecnologia e em ferramentas de inteligência artificial para substituir postos e mitigar perdas operacionais, os pequenos mercados enfrentam limitações financeiras e equipes mais enxutas para realizar o revezamento.
O secretário executivo observa que a redução da jornada de trabalho poderá gerar novas contratações no setor, mas ressalta que isso deve ocorrer de forma desigual e acompanhada de pressão inflacionária na folha de pagamento e nos custos operacionais.
Nesse contexto, ele aponta uma possível perda de capacidade operacional nas lojas e impactos diretos no custo e na oferta de vagas.
Entidades como a Associação Brasileira de Supermercados projetam que o impacto financeiro imediato na folha de pagamento do setor será de um aumento de custo que varia entre 15% e 20%.
O jornal Diário do Nordeste procurou cinco redes varejistas que atuam no Ceará para saber quais propostas estão sendo avaliadas, mas duas informaram que não iriam se posicionar, enquanto o restante não retornou aos contatos.