O presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou seu voto às 10h01 na manhã deste domingo em São Bernardo do Campo, sua base política histórica, na que marca sua última corrida como candidato ao Palácio do Planalto. O chefe do Executivo federal chegou à seção eleitoral sob forte esquema de segurança, acompanhado de sua esposa, Janja, do vice de sua chapa, Geraldo Alckmin, do ex-ministro Fernando Haddad, além de Simone Tebet e Marina Silva.

Logo após votar, Lula atendeu a imprensa e comentou sobre a disputa acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno. O presidente declarou que o povo foi às ruas para defender suas conquistas e atribuiu sua candidatura ao apoio popular, definindo os eleitores como um exército da democracia. Na ocasião, o candidato do PT também criticou o adversário e afirmou estar convencido de que o eleitorado brasileiro não permitirá a vitória de seu oponente na disputa presidencial.

O presidente ressaltou que a escolha nas urnas representa dois modelos distintos de país para o futuro. Segundo Lula, a votação opõe propostas voltadas à distribuição de livros didáticos nas escolas e o respeito à democracia contra projetos associados à flexibilização de armamentos. Ele também pontuou que sempre esteve preparado para os embates políticos ao longo de sua trajetória, destacando que, ganhando ou perdendo, é preciso acatar o resultado das urnas.

Continua após a publicidade

Para chegar competitivo ao pleito deste domingo, a campanha petista adotou uma estratégia dupla nas últimas 48 horas anteriores à votação. No sábado, o presidente encerrou suas agendas com forte apelo popular ao realizar uma caminhada em Copacabana, no Rio de Janeiro, e um grande ato na Avenida Paulista, em São Paulo, com o objetivo de reduzir a abstenção de seus eleitores.

No ambiente digital, a equipe de Lula contou com a mobilização de canais de mensagens para combater a militância adversária e tentar desconstruir declarações da equipe econômica do PL. A estratégia nas redes sociais também buscou alertar para supostos riscos ao programa de transferência de renda caso o candidato adversário saísse vitorioso da disputa deste domingo.

O presidente chega a esta eleição enfrentando o cenário mais apertado das últimas duas décadas, com uma distância que não era registrada desde o pleito de 2006. As pesquisas de véspera divulgadas no sábado pelos institutos Quaest e Datafolha apontaram um empate técnico no limite da margem de erro, com Flávio Bolsonaro marcando 51% dos votos válidos contra 49% de Lula.

Considerando os votos totais da pesquisa Quaest, que incluem brancos e nulos, a margem entre os candidatos permaneceu estreita, registrando 46% para o representante do PL contra 45% para o candidato petista, enquanto a taxa de rejeição do presidente se manteve estável em 47%.

Após cumprir sua obrigação eleitoral no ABC paulista, o presidente retorna para a capital do estado de São Paulo. Lula acompanhará a marcha da apuração a partir do final da tarde no Hotel Intercontinental, cercado por ministros e aliados mais próximos, local de onde fará seu pronunciamento oficial sobre o resultado das urnas.