Preços dos ovos sobem 20% impulsionados pela demanda da quaresma
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Após cinco meses consecutivos de recuo, os preços dos ovos voltaram a registrar alta no Brasil a partir de fevereiro, mantendo a tendência de crescimento ao longo de março. O movimento é impulsionado, principalmente, pelo aumento da procura durante o período da quaresma, aliado a uma oferta mais limitada no mercado.
De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), houve elevação nos preços em todas as regiões analisadas. Na média parcial de março, o valor do ovo tipo extra branco apresentou aumento de até 20% em comparação com o mês anterior, refletindo o aquecimento da demanda.
Segundo a pesquisadora Claudia Scarpeli, esse comportamento é comum nesta época do ano. Fatores como a quaresma, a retomada do consumo após o período de férias e o retorno das atividades escolares contribuem para elevar a procura. Ao mesmo tempo, os produtores ajustam a oferta após um início de ano marcado por preços mais baixos — em janeiro, a caixa com 30 dúzias chegou a ser comercializada por cerca de R$ 89. Diferentemente de 2025, quando altas temperaturas prejudicaram a produtividade, até o momento não há registro de impactos climáticos significativos em 2026.
Os custos de produção também seguem como ponto de atenção para o setor, especialmente com a alimentação das aves, baseada em milho e farelo de soja, além de despesas com embalagens e transporte. O Cepea destaca ainda que possíveis tensões no Oriente Médio podem influenciar o valor do frete, embora esse impacto ainda não tenha sido repassado de forma expressiva aos preços. Para os próximos meses, a tendência dependerá do equilíbrio entre oferta e demanda, com possibilidade de recuo nos preços após a quaresma, caso a produção supere o consumo interno. Em 2025, o Brasil registrou recorde na produção, com 4,95 bilhões de dúzias, e consumo médio de 288 ovos por habitante.