O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para o seu quarto mandato presidencial na história do país, após uma virada inédita no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro. Com 100% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, o petista obteve mais de 64,2 milhões de votos, o que representou 51,79% dos válidos, enquanto o candidato do PL alcançou 59,8 milhões de votos, somando 48,21%. Esta foi a primeira vez, desde a redemocratização e a adoção do sistema de dois turnos pela Constituição de 1988, que um candidato que terminou a primeira fase da disputa em desvantagem conseguiu reverter o resultado para vencer a eleição para o Palácio do Planalto.
A disputa de segundo turno repetiu a chapa vitoriosa com Geraldo Alckmin como vice-presidente e colocou frente a frente os principais polos da política nacional. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia terminado na liderança com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, abrindo uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. Diante do cenário desfavorável, a campanha petista promoveu reestruturações profundas que envolveram a coordenação política, a estratégia de mobilização digital e a presença em debates televisivos para desgastar a imagem do adversário em temas como programas sociais.
Para reverter o quadro, a articulação contou com reforços de peso na equipe, como a entrada do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, na comunicação, do senador Camilo Santana na coordenação política, e do ex-ministro e senador eleito Rui Costa na articulação da agenda. No campo digital, a campanha intensificou a presença com vídeos em formato de diálogo direto com o eleitor e contou com iniciativas de apoiadores na internet, enquanto o núcleo duro explorava criticamente propostas do oponente nas áreas do Bolsa Família, Farmácia Popular e Pé-de-Meia.
Aos 80 anos, Lula consolidou-se como o presidente mais velho da história do Brasil a assumir o cargo, com posse marcada para o dia 5 de janeiro de 2027, conforme as novas regras estabelecidas pela Emenda Constitucional número 111 de 2021. Durante toda a campanha, o petista buscou afastar discussões sobre idade ao ressaltar sua rotina de exercícios físicos e disposição para o trabalho, contrapondo-se a debates sobre vitalidade política observados em cenários internacionais recentes.
A trajetória política do atual presidente inclui passagens marcantes pela chefia do Executivo entre 2003 e 2010, além do retorno ao poder em 2023 para o terceiro mandato. A gestão recente foi marcada por retomadas de programas sociais tradicionais, episódios de tensão internacional com os Estados Unidos e diversos embates com o Congresso Nacional em pautas econômicas e indicações para o Supremo Tribunal Federal, além de reformas ministeriais decorrentes de crises políticas ao longo dos últimos anos.
Com a confirmação da vitória nas urnas deste domingo, o petista estenderá sua trajetória no comando do país até os primeiros dias de 2031, consolidando um feito inédito de quatro mandatos presidenciais na história republicana brasileira. A diplomação e os preparativos para a transição deverão ocorrer nas próximas semanas, enquanto a base governista celebra o resultado histórico obtido na reta final do pleito.