A Polícia Federal prepara a inclusão na lista de procurados da Interpol de um casal condenado por lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital e citado em investigações envolvendo a influenciadora Deolane Bezerra. Os alvos da medida são os empresários Ciro César Lemos e Elidiane Saldanha Lopes Lemos, que figuram como proprietários de uma empresa de transporte apontada por autoridades como instrumento para movimentar recursos da facção criminosa. Os dois investigados encontram-se atualmente foragidos da Justiça.
Segundo investigadores consultados, existem indícios consistentes de que os empresários já tenham deixado o território brasileiro. A apuração indica que a Polícia Federal adota as providências operacionais necessárias para emitir os alertas internacionais, em cumprimento a uma determinação judicial para incluir os nomes do casal na Difusão Vermelha da Interpol.
A medida tem como objetivo principal estender a busca pelos empresários a outros países, uma vez que os mandados de prisão expedidos contra ambos ainda não foram cumpridos pelas autoridades policiais. Elidiane figura como uma das principais personagens de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo que culminou na prisão de Deolane em 21 de maio.
Foi a partir da análise detalhada da transportadora pertencente ao casal que a polícia conseguiu identificar o esquema de lavagem de dinheiro que passou a ser apurado no âmbito da Operação Vérnix. Conforme os levantamentos divulgados, mais de 20 milhões de reais foram movimentados entre os anos de 2015 e 2019 em contas bancárias vinculadas à Lado a Lado, empresa de transporte administrada pelos investigados.
A quebra do sigilo das contas pessoais de Elidiane também revelou uma movimentação financeira superior a 1 milhão de reais, valor que, de acordo com as conclusões da investigação policial, estaria diretamente ligado a atividades criminosas. Até o momento da última atualização do material original, a defesa de Ciro César e de sua esposa não havia sido localizada para se manifestar sobre as acusações.
A linha investigativa da Polícia Civil de São Paulo aponta que Elidiane e o marido utilizavam a estrutura da transportadora para realizar a lavagem de dinheiro da facção. Os investigadores chegaram até o casal após a localização de bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau, em São Paulo.
Uma das mensagens apreendidas na unidade prisional mencionava especificamente uma mulher ligada à transportadora. Os papéis foram encontrados na caixa de esgoto de uma cela no ano de 2019, depois que dois detentos tentaram se desfazer das provas ao dar descarga nos bilhetes durante uma vistoria de rotina.