Um lutador de jiu-jítsu de 32 anos foi preso após espancar brutalmente duas vizinhas dentro de um prédio residencial localizado na Tijuca, na Zona Norte da cidade. Câmeras de segurança do elevador registraram quatro minutos de violência extrema, período em que o agressor desferiu dezenas de socos, cotoveladas e chutes, além de tentar enforcar uma das vítimas. O caso aconteceu na madrugada de quinta-feira e mobilizou equipes da Polícia Militar e da Guarda Municipal.
A confusão teve início quando o agressor, identificado como Lucas Portela Fontana Gomes, arrombou a porta de um apartamento e ameaçou de morte uma moradora, que conseguiu fugir pelas escadas para pedir ajuda na portaria. Enquanto esmurrava a porta, testemunhas relataram que ele gritava que iria matar todos os moradores. Ao ouvir os gritos de socorro, uma moradora de 40 anos desceu para verificar a situação e soube que uma vizinha idosa, de 81 anos, também estava sob ataque no mesmo edifício.
A moradora de 40 anos entrou no elevador e, assim que a porta se abriu, foi surpreendida pelo lutador, que desferiu um chute em sua barriga sem motivo aparente. De acordo com o relato da vítima, ela foi obrigada a se ajoelhar e sofreu agressões contínuas, incluindo um golpe de enforcamento conhecido como mata-leão, apesar de suas súplicas. A idosa de 81 anos, que gritava por socorro antes do ataque, sofreu traumatismo craniano durante a ação criminosa do homem.
A violência no elevador só cessou quando a porta do equipamento se abriu novamente em outro pavimento. O agressor deixou a cabine cambaleando, com as mãos e os braços sujos com o sangue da vítima, e tirou o short, ficando completamente nu no saguão, pois já estava sem camisa e descalço. Tanto a mulher de 40 anos quanto a idosa foram socorridas e encaminhadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar, onde permaneceram sob cuidados médicos.
Durante a abordagem policial, Lucas entrou em luta corporal com um dos agentes e precisou ser contido com uma arma de choque e um disparo na perna, sendo também levado ao mesmo hospital. Inicialmente, o caso foi registrado na 18ª Delegacia de Polícia apenas como lesão corporal e o suspeito chegou a ser liberado por falta de elementos imediatos. No entanto, ainda na quinta-feira, agentes tiveram acesso às filmagens do elevador, ouviram testemunhas e realizaram perícia no local.
A Justiça concedeu um mandado de prisão temporária contra o lutador, que foi capturado por volta das 6h na casa do pai. Em depoimento, o suspeito alegou não se lembrar dos crimes por estar sob o efeito de anabolizantes. O delegado Álvaro de Oliveira Gomes aponta indícios de misoginia na motivação dos atos, destacando que o agressor direcionou a violência contra mulheres consideradas mais frágeis. O preso vai responder por tentativa de feminicídio, violação de domicílio, lesão corporal e ameaça.