A mãe de uma jovem de 18 anos acusa o pastor Fernando Peres de Sousa, de 43 anos, de praticar violência sexual contra a filha dela dentro de uma igreja localizada em Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com o relato apresentado às autoridades, os episódios teriam começado quando a adolescente tinha 15 anos e se estenderam por aproximadamente três anos. A Delegacia de Defesa da Mulher do município conduz a investigação e já realiza a oitiva de cerca de 20 testemunhas para esclarecer os fatos e verificar a existência de eventuais outras vítimas.
A família começou a frequentar a igreja evangélica onde Fernando pregava no ano de 2011 e seguiu o líder religioso quando ele decidiu fundar a própria congregação, em 2018. A mãe relata que os problemas começaram a partir desse período e também acusa o pastor de submeter os fiéis a episódios de violência psicológica, orientando o afastamento de familiares e amigos. Conforme o boletim de ocorrência registrado sobre o caso, as investidas diretas tiveram início em 2023, quando a então adolescente estava sentada no altar e foi surpreendida por um beijo forçado.
Na sequência, as abordagens se intensificaram, passando a incluir mensagens de cunho íntimo por aplicativo de celular. No ano seguinte, a estudante chegou a reprovar na escola por excesso de faltas, justificando à mãe que o pastor costumava aguardá-la na saída e que, para evitar os encontros, passou a fingir que dormia ou a evitar sair de casa.
Os atos de violência ocorriam durante os cultos ou em atividades religiosas realizadas no decorrer da semana, sendo a jovem por vezes levada para a residência do próprio pastor. Em agosto, a estudante manifestou o desejo de não frequentar mais o local, demonstrando aversão a qualquer atividade religiosa, comportamento que a mãe passou a compreender posteriormente como reflexo das supostas ameaças sofridas.
A situação veio a público em setembro de 2026, após uma conversa por chamada de vídeo na qual mãe e filha comentavam sobre um documentário acerca de abusos cometidos por líderes religiosos. Na ocasião, a jovem pediu a reunião da família para revelar os episódios de violência atribuídos a Fernando Peres de Sousa. A denúncia também chegou ao conhecimento da primeira-dama de Itaquaquecetuba, Mila Boigues, que manifestou apoio público à vítima por meio de um vídeo.
Após a repercussão da denúncia, o perfil do pastor e a página da igreja nas redes sociais foram desativados. Testemunhas apontam que as atividades no templo em Itaquaquecetuba foram encerradas e os equipamentos do local retirados. A Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Civil atua na apuração do caso e no cumprimento de medidas protetivas, enquanto a defesa do pastor não foi localizada para comentar as acusações até o momento.