Cinco suspeitos foram presos em flagrante em Fortaleza sob a acusação de integrar um esquema de extorsão contra comerciantes em troca da autorização da facção Comando Vermelho para a venda de água mineral. As cobranças irregulares no Complexo da Rosalina tiveram início no dia 2 de novembro deste ano, com ordens para exigir o pagamento de um real e cinquenta centavos por cada garrafão comercializado na região.

De acordo com as investigações, Mikael Melo Moreira, conhecido como Mixaria, e Daniel Oliveira da Silva, apontado como Daniel Trator, seriam os principais responsáveis por coordenar as ameaças nas comunidades da Rosalina, Riacho Doce, Jardim União I e II e Parque Dois Irmãos. As ameaças aos comerciantes eram feitas de maneira presencial desde que Daniel teria arrendado o controle da área para Mikael.

Na última sexta-feira, a dupla foi capturada junto com outros três suspeitos, identificados como Wesley Ferreira Gomes, Francisco Emídio de Araújo e Antônio Ebervan Santos da Silva. Todos passaram por audiência de custódia e tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventivas pela Justiça.

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Na tarde da operação, policiais civis montaram campana nos arredores de uma distribuidora de água mineral e abordaram um veículo com reboque na Avenida Bernardo Manuel. No carro eram transportados noventa garrafões de vinte litros que seriam entregues a um mercadinho por Mikael, Wesley, Francisco e Antônio Ebervan. Em ação simultânea, outra equipe policial localizou e prendeu Daniel Oliveira na residência onde morava, no município de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Durante os depoimentos na delegacia, os suspeitos negaram qualquer envolvimento com a facção criminosa e afirmaram não ter ligação com cobranças direcionadas aos comerciantes. Na sua versão, Mikael declarou ser proprietário de uma revenda de água na Rosalina, enquanto Francisco afirmou atuar como comerciante desde 2019, sendo acompanhado pelo cunhado nas compras, com Wesley e Antônio trabalhando como entregadores dos garrafões.

O Ministério Público do Ceará pediu a conversão das prisões, o que foi acatado pelo magistrado responsável, que também autorizou a análise dos dados armazenados nos celulares apreendidos com o grupo. Na decisão, o juiz destacou a gravidade da conduta e apontou que a facção passou a decidir quem pode vender água mineral, a que preço e de qual fornecedor, apropriando-se do acesso da população a um bem essencial.

O magistrado também ressaltou que a soltura imediata dos investigados permitiria a retomada da distribuição monopolizada e o contato com vítimas ainda não identificadas, lembrando que testemunhas aceitaram depor apenas sob sigilo devido ao temor de represálias. Conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, entre julho de 2025 e a última quinta-feira, cento e setenta e seis pessoas foram presas no Ceará por ameaças e extorsões a comerciantes.