O Complexo Industrial e Portuário do Pecém poderá antecipar tendências relacionadas à transição energética que devem ganhar força no cenário internacional nos próximos anos. A avaliação é do diretor de comercialização da Casa dos Ventos, Itamar Lessa, que participou do ProEnergia Summit 2026, realizado nesta quinta-feira (24), em Fortaleza.
Segundo Lessa, a empresa já enxergava o Pecém como uma espécie de laboratório para novos modelos de desenvolvimento energético quando começou a atuar na região. Atualmente, projetos de grande escala envolvendo energia renovável e infraestrutura tecnológica estão em andamento no complexo.
“Quando começamos a desenvolver projetos no Pecém, enxergávamos como se fosse o laboratório do mundo da transição energética”, afirmou o executivo durante o evento.
Entre os projetos citados está o data center da ByteDance, empresa chinesa responsável pelo TikTok. O empreendimento está em construção na região do Pecém e terá a Casa dos Ventos como fornecedora exclusiva de energia renovável. A obra começou em janeiro deste ano e a previsão é que o primeiro data hall seja entregue em 2027.
Data centers e energia renovável
A instalação do data center representa uma das frentes de expansão da infraestrutura tecnológica no Ceará. O empreendimento faz parte de um conjunto de projetos que vem transformando o Pecém em uma área de interesse para empresas ligadas à tecnologia e ao setor energético.
Além do projeto da ByteDance, outros data centers estão previstos ou em desenvolvimento na região. Em agosto, por exemplo, o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação aprovou a instalação de um empreendimento da Voltalia na ZPE do Pecém, com investimento previsto de R$ 181,7 bilhões.
A Casa dos Ventos também possui projetos relacionados à produção de energia renovável destinada a grandes consumidores. A empresa projeta ampliar sua capacidade de geração e mantém iniciativas relacionadas a empreendimentos de energia eólica, solar e projetos associados ao hidrogênio verde.
Contexto internacional
Durante o evento, Itamar Lessa também destacou o cenário geopolítico internacional como um dos fatores que podem aumentar a importância de regiões capazes de produzir energia de forma renovável.
Na avaliação do executivo, mudanças nas cadeias globais de energia e a necessidade de maior segurança no abastecimento podem favorecer locais que disponham de recursos naturais, infraestrutura e capacidade de geração de energia.
Para Lessa, esse contexto pode fazer com que experiências desenvolvidas no Pecém sejam replicadas posteriormente em outras partes do mundo.
“Então, o que vai acontecer no Pecém vai acontecer de cinco a sete anos depois no mundo”, afirmou.
Pecém como polo tecnológico
Além da produção e comercialização de energia, o diretor defendeu que o Ceará aproveite a capacidade técnica e a formação de profissionais existentes no Estado para ampliar a atuação do Pecém.
Segundo Lessa, a região tem potencial para ir além da movimentação de cargas e se consolidar também como um espaço de desenvolvimento de tecnologias associadas à transição energética e à economia digital.
“É o momento de transformarmos o Pecém não apenas no hub de carga, mas no hub de desenvolvimento de tecnologias”, destacou.
O cenário já reúne projetos de diferentes segmentos, incluindo data centers, geração de energia renovável e iniciativas relacionadas ao hidrogênio verde. A expansão desses empreendimentos coloca o Pecém no centro das discussões sobre infraestrutura energética e tecnológica no Ceará.