A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou cinco novas canetas medicamentosas da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, sendo três indicadas para o tratamento de obesidade e duas para diabetes. Com as novas liberações formalizadas, a agência reguladora passa a somar cerca de 20 canetas emagrecedoras e antidiabéticas com aval de comercialização ao longo do ano. Os fármacos utilizam princípios ativos à base de liraglutida e semaglutida, substâncias que mimetizam a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições para auxiliar na redução dos níveis de açúcar no sangue e no controle do apetite.
A decisão oficial foi publicada por meio de resolução específica no Diário Oficial da União. Apesar da validação regulatória, a chancela não significa a liberação para venda imediata nas farmácias, visto que as datas de lançamento oficial e os valores de comercialização ainda não foram divulgados pelas empresas responsáveis. Os novos registros integram uma lista que contempla diferentes laboratórios detentores e fabricantes internacionais.
Para o tratamento do diabetes tipo 2, foram aprovados o Aribet, à base de liraglutida e registrado pela Farma Vision com fabricação indiana da Biocon; o Embeltah, com semaglutida, sob registro da Dr. Reddys e fabricação da OneSource Specialty; e o Sevema, também com semaglutida, registrado pelo Aché Laboratórios e produzido pela mesma fabricante indiana. Já para o controle e a redução de peso em conjunto com exercícios físicos e alimentação equilibrada, as novidades são o Lyrza e o Wylovol, ambos à base de liraglutida e com registro concedido à Farma Vision.
A agência reguladora reforça que, embora os medicamentos compartilhem os mesmos princípios ativos, as indicações e os esquemas terapêuticos diferem entre si. Dessa forma, uma caneta autorizada especificamente para o tratamento de diabetes não possui liberação automática para o combate à obesidade, exigindo rigor técnico na prescrição.
A comercialização de todas essas canetas emagrecedoras e antidiabéticas exige a apresentação de receita médica que deve ficar obrigatoriamente retida no estabelecimento farmacêutico. A medida de controle foi endurecida pela Anvisa em virtude do crescimento do consumo desprovido de acompanhamento clínico profissional, prática associada a riscos severos como perda acentuada de massa muscular, reações adversas no sistema digestivo e complicações metabólicas.
A liberação acelerada faz parte de uma diretriz adotada para priorizar a análise de itens contendo semaglutida e liraglutida no país. O ritmo acelerado atende a uma demanda do Ministério da Saúde para facilitar o abastecimento e a futura ampliação do acesso à população por meio do Sistema Único de Saúde, além de estimular a concorrência no mercado nacional para conter preços elevados e coibir a comercialização irregular em canais paralelos.