Quem sonha em comprar a casa própria com financiamento vai precisar refazer as contas após a decisão de três dos maiores bancos privados do país de elevar os juros do crédito imobiliário nos últimos dias. A mudança impacta diretamente o bolso de quem pretende assumir uma dívida de longo prazo para a aquisição de imóveis residenciais. O movimento ocorre em um cenário de reajustes nas taxas máximas e mínimas aplicadas pelas instituições financeiras.

O Bradesco informou que atualizou as taxas máximas de suas linhas de crédito imobiliário em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, a taxa mínima passou a ser de 13,60% ao ano mais TR, mas fica restrita ao segmento Private, enquanto a referência para a maioria dos clientes subiu de 11,69% para 15% ao ano mais TR.

Os clientes do Itaú Unibanco também encontram reajustes nas contratações. Desde o dia 29, a taxa mínima do crédito imobiliário passou de 11,99% para 12,95% ao ano mais taxa referencial. Em nota, o banco explicou que o financiamento depende de recursos captados no mercado e que o custo acompanha as oscilações dos juros futuros para preservar a sustentabilidade das operações.

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No Santander, a mudança entrou em vigor no dia 30, com as operações passando de 11,69% para 12,49% ao ano mais TR. A instituição afirmou que acompanha regularmente os indicadores econômicos e as condições do mercado imobiliário para avaliar continuamente as condições de seus produtos de crédito.

Os três bancos possuem grande peso no mercado habitacional brasileiro. De janeiro a setembro, Itaú, Bradesco e Santander somaram cerca de R$ 58,2 bilhões em financiamentos para aquisição de imóveis, representando mais da metade dos R$ 105,1 bilhões concedidos no período, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança.

A Caixa Econômica Federal, que é o maior banco do mercado habitacional e concentra grande parte das unidades financiadas, não informou se pretende reajustar suas taxas, enquanto o Banco do Brasil permaneceu em período de silêncio devido à divulgação de resultados. Especialistas apontam que a postura da Caixa será decisiva para o comportamento dos concorrentes no setor.

Especialistas econômicos explicam que o avanço das taxas tem relação com o momento econômico do país, marcado por reações do mercado à situação fiscal e de endividamento que elevaram os juros futuros. Como o crédito imobiliário utiliza recursos próprios e se estende por décadas, qualquer alta nas projeções de custo de captação é repassada para a taxa final cobrada dos clientes.