O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrou a maior queda semanal acumulada desde 2020, no início da pandemia de covid-19. A redução foi de 18,12% no período. Já o dólar teve alta de 9,04%, marcando o maior avanço semanal desde 2008.

O mercado operou sob os efeitos do resultado eleitoral, que terminou com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25/10). Uma vitória do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PL), já vinha sendo precificada entre os especialistas após o resultado do primeiro turno.

Para o chefe de Câmbio e Contas Internacionais da Convexa Investimentos, Emerson Junior, a disparada da moeda americana no ambiente doméstico refletiu a cautela dos investidores com a indefinição sobre a equipe econômica e a política fiscal do novo governo. A avaliação do mercado é que o Comitê de Política Monetária não cortará a taxa Selic na reunião da próxima semana.

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O especialista destacou que a atenção continuará voltada à decisão de política monetária do Banco Central do Brasil e aos possíveis anúncios de nomes para o Ministério da Fazenda. Esses fatores são considerados cruciais para a calibragem dos prêmios de risco e do câmbio.

No fechamento desta sexta-feira (30/10), o dólar cotado a R$ 5,44 registrou alta de 1,05% em relação ao dia anterior. Já a Bolsa fechou com 167.921 pontos, apresentando uma queda de 0,75% no encerramento do pregão.

Em meio a esse cenário, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo enviará ao Congresso Nacional um Projeto de Lei com o compromisso de mirar o centro da meta fiscal. A meta deste ano é de 0,25% do PIB, diferentemente da prática anterior de mirar sempre o piso.

A meta fiscal possui uma banda de tolerância de 0,25% para cima ou para baixo, fazendo com que o piso para 2026 seja o déficit zero, ou seja, o equilíbrio entre receitas e despesas. A prática anterior do governo era amplamente criticada pelo mercado por ser vista como uma estrutura fictícia.

Ao mirar o centro da meta, a gestão federal precisará realizar um esforço maior para estabilizar as contas públicas, o que pode exigir bloqueios e contingenciamentos maiores em 2027. A equipe econômica estuda medidas para estabilizar a dívida pública, realizar o ajuste fiscal e conquistar a confiança do mercado financeiro, dependendo ainda da definição do comando do Ministério da Fazenda.