A Companhia de Água e Esgoto do Ceará passou a transportar garrafões de água mineral para atender à demanda de Banabuiú, no Sertão Central, após ameaças de uma facção criminosa provocarem a suspensão das vendas no município. A operação de escolta policial foi articulada pela Prefeitura em parceria com o Governo do Ceará. O primeiro carregamento, contendo cerca de mil garrafões, chegou à cidade.
De acordo com o prefeito Marcílio Coelho, o transporte será retomado, com entregas diárias previstas. A medida emergencial deverá ocorrer enquanto as distribuidoras locais não retomarem o funcionamento normal. As ameaças começaram quando comerciantes receberam um comunicado exigindo o pagamento de uma taxa para permitir a comercialização de água mineral na região.
Os empresários procuraram a polícia e receberam orientação para não ceder às exigências criminosas. No entanto, o temor de represálias fez com que as vendas fossem interrompidas, deixando a população sem acesso regular ao produto. Os fornecedores optaram por não se expor, mantendo a suspensão mesmo com a presença de equipes policiais nas ruas.
Para solucionar o impasse, a Prefeitura realizou reuniões com representantes da segurança pública e do setor comercial. Ficou definido que a Cagece disponibiliza caminhões para buscar os garrafões diretamente nos fornecedores e transportá-los até Banabuiú, enquanto a Polícia Militar garante a escolta durante todo o trajeto. O prefeito esclareceu que a companhia estadual atua apenas com o empréstimo dos veículos e não realiza a comercialização do produto.
Em paralelo à medida de abastecimento, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social informou que três suspeitos de integrar o grupo criminoso responsável pelas extorsões e ameaças foram presos em Banabuiú. A ação conjunta envolveu a Polícia Civil e a Polícia Militar a partir de informações de inteligência. Com os suspeitos, os agentes apreenderam celulares, munições, um revólver calibre 38, um notebook e dinheiro.
As autoridades também confirmaram que o suposto mandante das ameaças foi identificado e atualmente se encontra no estado do Rio de Janeiro, com investigações coordenadas entre as polícias dos dois estados. O policiamento na região foi reforçado com o emprego de equipes do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior, do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas, da Força Tática e aeronave da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas.
A população pode colaborar com o trabalho policial repassando informações por meio do Disque-Denúncia 181 ou pelo WhatsApp da Secretaria da Segurança Pública, canais que garantem o sigilo e o anonimato dos denunciantes.