O comércio eletrônico registrou crescimento de até 50,5% em municípios do Ceará entre janeiro e outubro de 2026. O destaque foi Eusébio, que liderou a expansão do faturamento entre as cidades cearenses com movimentação digital superior a R$ 50 milhões no período, na comparação com os mesmos meses de 2025.
O levantamento aponta que outros municípios do interior também apresentaram resultados expressivos. Crato aparece na segunda posição, com crescimento de 32%, seguido por Crateús (30,7%), Quixeramobim (29,8%), Aquiraz (27,5%) e Tianguá (27,3%).
Fortaleza, que concentra aproximadamente metade das vendas online realizadas no Ceará, registrou crescimento de 18,7%. Já Juazeiro do Norte, considerado um dos principais centros comerciais da região do Cariri, apresentou expansão de 22,1%.
Os dados integram um estudo nacional do ecossistema Confi/Neotrust, responsável por acompanhar as transações reais do comércio eletrônico no País.
Ceará movimenta R$ 10 bilhões em vendas online
No panorama estadual, o comércio eletrônico movimentou R$ 10 bilhões entre janeiro e outubro de 2026. O resultado representa um crescimento de 18,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando a média nacional, que ficou em 16,6%.
Outro dado destacado pelo levantamento é o valor médio gasto pelos consumidores em cada compra. No Ceará, o ticket médio chegou a R$ 331,24, aproximadamente 25% acima da média brasileira, que foi de R$ 265,88.
No cenário nacional, apesar do aumento de 34,4% no número de pedidos, o valor médio das compras apresentou redução de 13,2%. O comportamento indica que os consumidores brasileiros estão realizando mais pedidos, mas gastando menos em cada compra.
Ceará representa 2,8% do faturamento nacional
Apesar do avanço do comércio eletrônico no Estado, o levantamento aponta que o Ceará ainda possui uma participação pequena no mercado digital brasileiro. Os R$ 10 bilhões movimentados no período correspondem a 2,8% do faturamento nacional.
Os outros 97,2%, equivalentes a R$ 349,5 bilhões, estão distribuídos entre os demais estados. O Sudeste concentra a maior parcela desse mercado, com R$ 209,7 bilhões em vendas online.
Na prática, os números mostram que existe uma diferença significativa entre o volume de vendas digitais realizado dentro do Ceará e o potencial de consumo do mercado nacional.
Frete e prazo de entrega ainda são desafios
A logística continua sendo um dos principais obstáculos para o crescimento do comércio eletrônico no Ceará. De acordo com os dados apresentados, o prazo médio de entrega de um produto no Estado é de seis dias, enquanto em São Paulo o consumidor recebe a encomenda, em média, em dois dias.
A diferença também aparece no preço do frete. No Ceará, o valor médio é de R$ 34,90, mesmo com 58,4% dos pedidos contando com frete grátis. Na capital paulista, a média é de R$ 22,40.
Em algumas localidades do interior cearense, os custos são ainda maiores. Na região da Chapada do Araripe, por exemplo, o frete médio pode chegar a R$ 69,40.
Mulheres representam quase 60% dos consumidores online
O estudo também apresenta informações sobre o perfil dos consumidores cearenses. As mulheres representam quase 60% do público que realiza compras pela internet no Estado, percentual superior à média nacional.
Entre as categorias de produtos mais procuradas por esse público estão os eletrodomésticos. O segmento movimentou R$ 1,38 bilhão no Ceará entre janeiro e outubro de 2026, registrando crescimento de 31% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo o head de negócios da Neotrust, Léo Bicalho, o resultado pode estar relacionado a um novo ciclo de substituição de produtos adquiridos durante a pandemia de Covid-19.
“Em 2020, muitos consumidores renovaram a casa e fizeram compras, mas faz seis anos disso. Chegou o momento em que os produtos são trocados”, explicou.
Bicalho também aponta que a participação expressiva das mulheres nas compras de eletrodomésticos pode estar relacionada ao fato de muitas delas serem responsáveis pelo sustento e pela administração dos lares no Estado.