A Polícia Federal (PF) apura se o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil, apesar da determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proíbe de sair do país. A suspeita surgiu após um jornal argentino divulgar, na madrugada desta terça-feira (27), que o parlamentar teria atravessado a fronteira por Puerto Iguazú, na Argentina.
Segundo informações divulgadas pelo blog da jornalista Andreia Sadi, no g1, não há registro da passagem de Flávio por pontos regulares de controle migratório brasileiro. As autoridades do Brasil estão em contato com as argentinas para verificar se existe algum registro de entrada do senador no país vizinho.
Até o momento, porém, não foi identificada confirmação de que Flávio tenha ingressado na Argentina. As checagens continuam para esclarecer o paradeiro do parlamentar. De acordo com informações de fontes de Brasília divulgadas pelo blog, a assessoria do senador nega que ele tenha viajado para fora do Brasil.
Moraes determinou entrega de passaportes
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes. A ordem estabeleceu prazo de até 24 horas para a entrega dos documentos estrangeiros, com vencimento às 11h desta terça-feira (27).
A decisão também determinou o cancelamento dos passaportes emitidos pelo Brasil em nome do senador, incluindo o diplomático, além da proibição de contato entre ele e o advogado Willer Tomaz.
Flávio possui passaporte italiano, concedido em 2023, e também deveria entregar esse documento, conforme a determinação judicial.
O senador não apresentou os passaportes até o prazo estabelecido. A investigação sobre uma possível saída do país busca esclarecer se ele viajou para o exterior mesmo diante da restrição imposta pelo STF.
Investigação envolve advogado e apostas esportivas
A decisão de Moraes foi tomada no âmbito de uma investigação que apura a relação entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O caso envolve suspeitas relacionadas a empresas ligadas ao jurista e ao setor de apostas esportivas.
Os dois confirmam que são amigos, mas negam que mantenham uma sociedade e rejeitam a existência de irregularidades. O processo tramita sob sigilo de Justiça.
Senador também é investigado no caso Dark Horse
Flávio Bolsonaro também é investigado em um inquérito da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação envolve suspeitas relacionadas a uma possível transferência de aproximadamente R$ 61 milhões por Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, que está preso. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o repasse teria sido solicitado pelo senador para financiar a produção da cinebiografia.
A PF investiga possíveis crimes, entre eles lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A defesa de Flávio afirma que a doação seguiu os procedimentos legais, ocorreu entre entes privados e não envolveu recursos públicos.
Flávio afirma que não pretende deixar o Brasil
Em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro afirmou que havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes quando saía da residência do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Na gravação, o senador contestou a decisão de Alexandre de Moraes e negou ter afirmado que deixaria o país caso fosse derrotado nas eleições.
Flávio também declarou que pretende continuar atuando na oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar afirmou que não pretende se intimidar diante das medidas judiciais.
A Polícia Federal continua verificando as informações sobre uma possível viagem internacional. Até o momento, não há confirmação oficial de que o senador tenha deixado o Brasil.
