O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, teria deixado o Brasil nesta terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. Dois parlamentares confirmaram ao jornal O POVO que o senador saiu do país, mas disseram não saber qual seria o destino da viagem.
Segundo informações publicadas pela coluna do jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, Flávio estaria a caminho dos Estados Unidos, onde poderia solicitar asilo político. Aliados ouvidos pela Folha de S.Paulo também afirmaram que o senador estaria em voo com destino ao país norte-americano.
Até a divulgação das informações, porém, não havia confirmação oficial da chegada do parlamentar aos Estados Unidos nem da formalização de um eventual pedido de asilo político.
Viagem teria sido organizada de última hora
De acordo com o Metrópoles, a saída de Flávio Bolsonaro teria sido organizada de última hora, com a participação de um grupo restrito de aliados no Brasil e nos Estados Unidos. A iniciativa teria sido planejada para evitar vazamentos sobre a viagem.
Ainda conforme a publicação, aliados que vivem nos Estados Unidos teriam ajudado a viabilizar a entrada do senador no país. A previsão divulgada era de que ele chegasse à Flórida na tarde desta terça-feira (27).
A publicação também informou que o governo do presidente Donald Trump teria sido avisado sobre a chegada do parlamentar. A expectativa relatada era de que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio, o encontrasse na Flórida na quarta-feira (28).
As informações sobre o destino da viagem e a possibilidade de solicitação de asilo político, contudo, ainda não haviam sido confirmadas oficialmente.
Possível passagem pela Argentina
Na madrugada desta terça-feira (27), o site argentino Infobae publicou que Flávio Bolsonaro teria viajado em um avião particular, passando pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos.
A informação surgiu enquanto a Polícia Federal apurava se o senador havia deixado o Brasil. Segundo informações divulgadas anteriormente, não havia registro de sua passagem por pontos regulares de controle migratório brasileiro.
As autoridades brasileiras também mantinham contato com as argentinas para verificar uma possível entrada do parlamentar no país vizinho. Até então, não havia confirmação oficial de que Flávio tivesse ingressado na Argentina.
Senador não entregou passaportes no prazo determinado pelo STF
A possível saída do país ocorre após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal.
O prazo para o cumprimento da ordem terminou às 11h desta terça-feira (27), sem que os documentos fossem apresentados, conforme informações divulgadas pela imprensa.
A decisão também determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros emitidos em nome do senador, incluindo o diplomático, além da entrega dos documentos de outras nacionalidades e da proibição de contato com o advogado Willer Tomaz.
A investigação que motivou as medidas envolve suspeitas relacionadas à relação entre Flávio e Tomaz, empresas ligadas ao advogado e apostas esportivas. Os dois confirmam a amizade, mas negam sociedade e irregularidades.
Aliados haviam negado saída do Brasil
Mais cedo nesta terça-feira, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, havia negado que o parlamentar tivesse deixado o país. Em declaração à coluna de Igor Gadelha, Marinho afirmou: “Não saiu”.
Posteriormente, veículos de imprensa divulgaram informações de que Flávio teria viajado para os Estados Unidos com a família.
Até o momento considerado pelas publicações, não havia confirmação oficial sobre a chegada do senador ao território norte-americano, a eventual solicitação de asilo político ou a suposta passagem pela Argentina.
O caso segue cercado de questionamentos sobre o paradeiro do parlamentar e o cumprimento das determinações judiciais. As informações sobre a viagem ainda dependiam de confirmação oficial pelas autoridades competentes.