A greve dos Correios chegou ao fim após 15 dias de paralisação. Os trabalhadores aprovaram o encerramento do movimento durante assembleia realizada na noite desta quinta-feira (24) e devem retornar às atividades a partir das 22h, conforme determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A paralisação começou no dia 10 de setembro, após os trabalhadores rejeitarem uma proposta apresentada pelos Correios durante as negociações do acordo coletivo.
Decisão do TST
O TST retomou nesta quinta-feira (24) o julgamento do dissídio coletivo dos trabalhadores dos Correios. A sessão havia sido suspensa na segunda-feira (21), quando o ministro Vieira Mello Filho determinou um prazo de 48 horas para que as entidades sindicais analisassem documentos apresentados pela empresa.
Por maioria, o tribunal decidiu que a greve não foi abusiva. A decisão contrariou o pedido dos Correios, que defendiam que a paralisação fosse considerada abusiva e que fosse aplicada uma multa de R$ 100 mil às entidades que representam os trabalhadores.
Além disso, o TST definiu um reajuste salarial de 4,09%, determinou a compensação dos dias parados e estabeleceu a manutenção de 73 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho, segundo o Sintect-SP.
Compensação dos dias parados
Os trabalhadores deverão compensar os dias em que ficaram paralisados. Em São Paulo, o Sintect-SP orientou o retorno às atividades a partir das 22h desta quinta-feira (24).
No entanto, os critérios para a reposição das horas ainda não estavam definidos. O sindicato informou que aguardava a publicação do acórdão, documento que reúne todos os detalhes da decisão do TST.
A entidade também afirmou que os próximos passos sobre a compensação serão discutidos com a diretoria e as federações que representam os trabalhadores.
Plano de saúde foi principal impasse
A greve começou após a categoria rejeitar a proposta apresentada pelos Correios durante as negociações do acordo coletivo. Um dos principais pontos de divergência foi o plano de saúde destinado a funcionários, aposentados e dependentes.
Os trabalhadores defendiam a manutenção do modelo atual, no qual os Correios atuam como mantenedores do benefício. A Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) afirmou que as negociações haviam avançado em outros pontos, mas que o plano de saúde continuava sendo o principal obstáculo para o acordo.
Segundo a entidade, uma possível mudança no modelo poderia aumentar os gastos das famílias com o benefício.
O tema também foi analisado durante o julgamento do TST. Entretanto, até a divulgação das informações pelo sindicato, o texto completo da decisão ainda não havia sido publicado.