A inflação de alimentos voltou a acelerar desde setembro deste ano e ainda dá sinais de que manterá força nos próximos meses, conforme apontam dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. De junho a agosto deste ano, o setor havia registrado deflação, com queda nos preços, mas o cenário sofreu uma reviravolta em setembro, quando o grupo de alimentos e bebidas registrou alta de 0,83%.
Para o futuro próximo, existem novos indícios de que os produtos continuarão pressionando o orçamento das famílias. Um dos principais termômetros dessa tendência é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país. Os preços coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro de 2026 para o grupo alimentação e bebidas mais do que dobraram na comparação com o período anterior, saltando de 0,40% para 0,88%.
O IPCA-15 difere do indicador oficial na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. O levantamento abrange famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e é realizado em capitais como Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória.
No acumulado de janeiro a setembro deste ano, os preços dos alimentos e bebidas subiram 4,37%, patamar que ficou acima da média geral do IPCA, calculada em 3,95%. Embora essa seja a média nacional do período, capitais específicas registraram alta ainda mais intensa no custo da alimentação, como Porto Alegre com 5,91%, Aracaju com 5,71%, Goiânia com 5,52%, Vitória com 5,14%, Fortaleza com 4,69%, São Paulo com 4,65% e São Luís com 4,46%.
No recorte anual por subgrupos, as maiores altas foram registradas em tubérculos, raízes e legumes com avanço de 46,54%, leite e derivados com alta de 12,47%, e cereais, leguminosas e oleaginosas com acréscimo de 10,74%. Por outro lado, o período também contabilizou reduções em categorias como óleos e gorduras, que caíram 5,65%, aves e ovos com recuo de 4,99%, e bebidas e infusões com baixa de 3,37%.
A aceleração observada no IPCA-15 de setembro para outubro foi influenciada de forma determinante pela alimentação no domicílio, que passou de 0,38% para 1,01%. Entre os produtos que registraram as maiores elevações de preços destacam-se o tomate com 24,54%, a cebola com 13,63%, a batata-inglesa com 10,96% e o arroz com 5,80%. Em contrapartida, houve alívio nos preços da cenoura, que recuou 10,67%, das frutas com queda de 1,37% e do café moído com baixa de 1,16%.
Especialistas do setor econômico avaliam que o cenário exige monitoramento constante, embora uma alta contínua não seja dada como certeza absoluta. O coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, André Braz, aponta o clima como um ponto crítico de atenção para a produção e a distribuição de hortaliças, legumes e frutas. O economista também alerta para reflexos potenciais dos custos de transporte caso a alta internacional do petróleo, cujo barril tipo brent superou US$ 117, venha a impactar o preço do diesel.
Na mesma linha, o professor da FIA Business School Rodolfo Olivo reforça que a dinâmica do mercado deve ser acompanhada de perto devido aos riscos climáticos e sazonais. O especialista menciona que o mercado de carne também merece atenção especial durante a entressafra, período que pode sofrer pressões ligadas às condições de pastagem, à oferta de animais para abate e aos custos gerais de produção.