Presidente do Paraguai renuncia ao cargo em meio à crise envolvendo Ueno Bank
Saída de Santiago Peña ocorre enquanto o Congresso discutia um processo de impeachment; cerca de 3 milhões de clientes foram afetados pela intervenção na instituição financeira.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise financeira envolvendo o Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias do país. A decisão foi comunicada em um vídeo publicado nas redes sociais, enquanto o Congresso paraguaio discutia a abertura de um processo de impeachment contra o então chefe do Executivo.
No pronunciamento, Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país e na preservação das instituições democráticas. Ele também pediu desculpas à população por possíveis falhas durante sua gestão e destacou que sua prioridade é garantir tranquilidade às pessoas que confiaram suas economias ao sistema financeiro paraguaio.
"Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei", declarou.
Crise bancária provocou protestos
A crise ganhou força após o Banco Central do Paraguai (BCP) determinar a intervenção no Ueno Bank, depois de identificar que a instituição apresentava insuficiência de capital e não atendia aos requisitos mínimos de solvência.
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A medida deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às próprias contas e provocou manifestações na capital, Assunção. Os protestos foram marcados por cobranças pela devolução dos valores depositados e pela responsabilização dos envolvidos no caso.
Também foram registradas longas filas em frente às agências bancárias, com clientes tentando recuperar parte do dinheiro. Entre os afetados estão aposentados e pessoas que mantinham suas economias na instituição.
O episódio provocou ainda a renúncia de Carlos Carvallo, então presidente do Banco Central do Paraguai.
Entenda a ligação de Santiago Peña com o banco
Santiago Peña assumiu a Presidência do Paraguai em agosto de 2023, com mandato previsto até 2028. Antes de chegar ao cargo, ele foi acionista do Grupo Vázquez, conglomerado que controlava o Ueno Bank. O ex-presidente se desvinculou do grupo em março de 2025.
A relação anterior com a instituição financeira passou a ser questionada pela oposição, que apontou possível conflito de interesses e levantou dúvidas sobre decisões do governo relacionadas ao banco.
Na quarta-feira (4), deputados da oposição apresentaram um pedido de abertura de processo de impeachment contra Peña. Entre os argumentos apresentados estavam acusações de mau desempenho no exercício do cargo, possível conflito de interesses e questionamentos sobre o aumento de seu patrimônio.
Os parlamentares também criticaram supostas decisões regulatórias favoráveis à instituição e a concentração de recursos públicos e previdenciários no banco.
Governo anuncia devolução de parte dos depósitos
Antes de anunciar sua renúncia, Peña sancionou, na quarta-feira (4), uma lei aprovada em caráter de urgência pelo Congresso. A medida estabelece mecanismos para acelerar a devolução de parte dos valores depositados pelos clientes afetados pela crise.
Segundo o Banco Central, os correntistas terão direito a um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis, quantia equivalente a aproximadamente R$ 9 mil.
A legislação prevê que os pagamentos iniciais sejam realizados em até cinco dias, como forma de reduzir os prejuízos enfrentados pelos clientes.
Dirigentes do banco foram presos
As investigações sobre o caso também resultaram na prisão de oito dirigentes do Ueno Bank, entre eles o presidente da instituição, Miguel Vázquez.
O caso provocou uma crise política e financeira no Paraguai, com questionamentos sobre a fiscalização do sistema bancário e a relação entre representantes do governo e a instituição financeira.