O Pé-de-Meia Universitário deve começar a funcionar em 2027, segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini. A iniciativa será destinada a estudantes de baixa renda matriculados em universidades públicas e terá como objetivo reduzir a evasão escolar e garantir a permanência dos alunos no ensino superior até a conclusão da graduação.
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov, nesta quarta-feira (4), Barchini afirmou que o Ministério da Educação (MEC) está na fase final de elaboração do programa, após quatro anos de análises.
A proposta foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro de 2026, durante a campanha pela reeleição. Na ocasião, o presidente apresentou a previsão de pagamentos mensais e a criação de uma poupança para os estudantes.
Quando começa o Pé-de-Meia Universitário?
A previsão do Ministério da Educação é implementar o programa em 2027. De acordo com Leonardo Barchini, a equipe técnica está finalizando o formato da iniciativa.
Apesar da previsão, o ministro não informou uma data específica para o início dos pagamentos.
Quem terá direito ao benefício?
O Pé-de-Meia Universitário será destinado a estudantes de baixa renda matriculados em universidades públicas e inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
A proposta busca oferecer apoio financeiro aos universitários que enfrentam dificuldades econômicas para permanecer nos cursos de graduação.
O CadÚnico é o principal instrumento do governo federal para identificar e incluir famílias de baixa renda em programas sociais, como o Bolsa Família, a Tarifa Social de Energia Elétrica e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Em 2026, podem se inscrever no cadastro famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa, equivalente a R$ 810,50. Famílias com renda superior também podem ser cadastradas em situações específicas, quando o registro for exigido para acesso a determinados programas ou serviços.
Atenção: estar inscrito no CadÚnico não garante automaticamente o recebimento do Pé-de-Meia Universitário. O MEC ainda precisa divulgar os critérios completos de seleção dos beneficiários.
Qual será o valor do Pé-de-Meia Universitário?
A proposta apresentada pelo governo prevê duas modalidades de benefício: uma bolsa mensal e uma poupança destinada aos estudantes.
Confira os valores previstos:
Bolsa mensal de R$ 700: pagamento durante dez meses do ano letivo, totalizando R$ 7 mil por ano.
Poupança de R$ 250 por mês: depósito durante dez meses do ano, com o dinheiro retido até a conclusão da graduação.
Em um curso com duração de quatro anos, os valores poderão chegar a R$ 38 mil por estudante. Desse total, R$ 28 mil correspondem às bolsas mensais e R$ 10 mil aos depósitos acumulados na poupança, sem considerar a correção pela inflação.
Quando o estudante poderá sacar o dinheiro?
A bolsa de R$ 700 está prevista para ser paga mensalmente durante dez meses do ano letivo.
Já os depósitos de R$ 250 serão acumulados em uma poupança e poderão ser retirados após a conclusão da graduação.
Segundo Leonardo Barchini, o recebimento do benefício estará condicionado à permanência do estudante na universidade e à conclusão do curso dentro do prazo previsto.
"A contrapartida também vai ser permanecer na universidade, concluir o curso de uma forma integral, no tempo certo, para que a gente possa de fato transformar ainda mais esse país", afirmou o ministro.
Como fazer a inscrição no Pé-de-Meia Universitário?
Até o momento, o Ministério da Educação não divulgou como será o processo de seleção e ingresso no programa.
Também não foram apresentados detalhes sobre a necessidade de inscrição específica, os documentos exigidos ou os procedimentos para comprovar o cumprimento dos requisitos.
As orientações deverão ser divulgadas pelo MEC após a conclusão da elaboração do programa.
O que Lula prometeu durante a campanha?
O Pé-de-Meia Universitário foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 13 de outubro de 2026, durante a campanha pela reeleição.
Na ocasião, a proposta previa a criação de uma modalidade do programa para estudantes do ensino superior a partir de 2027, com pagamento de R$ 700 mensais durante dez meses e depósitos de R$ 2,5 mil por ano em uma poupança.
A previsão apresentada durante a campanha era atender aproximadamente 1 milhão de estudantes por ano, com investimento estimado em R$ 4,6 bilhões. O financiamento seria realizado com recursos do Fundo Social do Petróleo.
Durante a entrevista desta quarta-feira (4), o ministro não confirmou se as estimativas de público, investimento e financiamento serão mantidas no formato definitivo da iniciativa.
Por que o governo quer criar o programa?
De acordo com Leonardo Barchini, a iniciativa busca acompanhar as mudanças no perfil dos estudantes das universidades públicas brasileiras.
O ministro afirmou que, há cerca de duas décadas, aproximadamente dois terços dos universitários vinham de escolas particulares. Atualmente, segundo ele, esse cenário se inverteu, com cerca de dois terços dos estudantes sendo oriundos da rede pública.
Para o governo, a ampliação do acesso ao ensino superior precisa ser acompanhada de medidas que ajudem os estudantes a permanecer na universidade até a formatura.
"Porque acessar é uma das etapas que esse estudante vence, mas permanecer é uma outra batalha igualmente difícil", declarou Barchini.
O que muda no Pé-de-Meia do ensino médio em 2027?
Além de apresentar a previsão de início do Pé-de-Meia Universitário, Leonardo Barchini também anunciou que o governo pretende ampliar o programa destinado aos estudantes do ensino médio público.
A proposta é que, a partir de março de 2027, todos os alunos da rede pública sejam contemplados, independentemente de estarem inscritos no CadÚnico.
Atualmente, o benefício é destinado a estudantes que atendem aos critérios do programa, incluindo a inscrição da família no Cadastro Único.
O Ministério da Educação ainda estuda como será realizada a ampliação.
Criado em 2024, o Pé-de-Meia do ensino médio pode garantir até R$ 9,2 mil por estudante que cumpra os requisitos de frequência e conclusão escolar.
Segundo dados apresentados pelo ministro, o programa contribuiu para uma redução de 61% no abandono escolar e de 62% na reprovação no ensino médio público entre 2022 e 2025. No mesmo período, a distorção idade-série diminuiu 28%.