A queda de um jatinho particular na região de Greenacres, no condado de Palm Beach, na Flórida, nos Estados Unidos, provocou a morte de nove pessoas na tarde de domingo. A aeronave, um Learjet 60 operado pela empresa Aurora Aviation, que atua comercialmente como Upper Jet, transportava dois tripulantes e sete passageiros. Todos morreram.

Nesta segunda-feira (2), o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) informou que há indícios de que o avião começou a se desintegrar ainda durante o voo, antes de atingir o solo. As circunstâncias do acidente estão sendo investigadas pelas autoridades federais americanas.

Entre as vítimas estão uma família com duas crianças, de 2 e 4 anos, três pessoas próximas aos parentes e a copilota brasileira Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos.

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Como aconteceu o acidente

O jatinho decolou de Austin, no Texas, às 9h36 (horário local), com destino ao aeroporto de North Eleuthera, nas Bahamas. A queda aconteceu por volta das 12h50, nas proximidades de Greenacres, no condado de Palm Beach, ao sul da Flórida.

Antes de atingir o solo, a tripulação entrou em contato com o controle de tráfego aéreo para informar dificuldades durante o voo. Um dos pilotos relatou acúmulo de gelo na aeronave e turbulência moderada. Em seguida, os tripulantes informaram que estavam entrando em uma área de precipitação e solicitaram autorização para subir de altitude.

A situação se agravou rapidamente. Um dos pilotos declarou emergência e comunicou que o avião estava perdendo altitude a uma velocidade de 10 mil pés por minuto. Pouco depois, relatou uma descida de 20 mil pés por minuto e alertou que a aeronave iria atingir o solo.

A última comunicação registrada entre a tripulação e o controle aéreo incluiu a frase: "Estamos sem tempo". O áudio foi divulgado pelo site LiveATC e repercutido pela imprensa americana. Não há confirmação de que a voz feminina ouvida em determinados trechos da gravação seja a da copilota brasileira.

Impacto provocou explosão e espalhou destroços

A aeronave caiu perto do cruzamento da Military Trail com a 10th Avenue North, em uma área residencial e comercial. Imagens registraram o jatinho em uma descida acentuada antes de atingir o solo e explodir.

O impacto abriu uma cratera na pista e espalhou destroços pela região. Um motorista que passava pelo local ficou ferido na perna. Além disso, moradores de aproximadamente 80 casas móveis próximas à área do acidente precisaram deixar suas residências durante os trabalhos de emergência e investigação.

Em entrevista coletiva, o integrante do NTSB Tom Chapman informou que os investigadores encontraram indícios de que partes da aeronave se desprenderam ainda no ar. Segundo ele, alguns destroços podem ter sido lançados a uma distância considerável do ponto principal da queda.

Quem são as vítimas

Familiares divulgaram os nomes de oito das nove pessoas que estavam a bordo. A identificação oficial de todos os corpos ainda depende dos procedimentos das autoridades médico-legais.

Entre os passageiros estavam o empresário de tecnologia Adam Robinson, de 44 anos, a mulher dele, Helen Sharp, e os dois filhos do casal: Emma, de 4 anos, e Charlie, de 2. A família também viajava acompanhada de Rachael Reed, Charmi Fehr e Anita Maria Cetina, que trabalhava como babá das crianças.

Em uma manifestação conjunta, os familiares lembraram Adam e Helen como pais dedicados e descreveram os filhos como o centro da vida do casal. Reed e Fehr foram homenageadas pela alegria e pelo espírito aventureiro. Já Cetina foi lembrada pelo carinho e pela dedicação à família.

A oitava vítima identificada é a brasileira Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, que atuava como copilota da aeronave. A informação foi confirmada por familiares à imprensa americana. A identidade do outro piloto ainda não havia sido divulgada publicamente nesta segunda-feira.

Nathalia ganhou destaque nos Estados Unidos em 2023, quando conseguiu sua licença de piloto particular aos 17 anos, enquanto estudava na West Boca Raton Community High School, na Flórida. Segundo informações divulgadas pelo jornal The New York Times, ela acumulava mais de 1.300 horas de voo e trabalhava para a empresa responsável pela operação do jatinho.

Investigação busca esclarecer as causas

As condições meteorológicas estão entre os principais pontos analisados pelos investigadores. Durante o voo, a tripulação relatou a presença de gelo e turbulência enquanto a aeronave estava a aproximadamente 35 mil pés de altitude, o equivalente a cerca de 10,7 quilômetros.

Naquele momento, a temperatura externa indicada era de aproximadamente 47 graus Celsius negativos. Também havia tempestades na região, com nuvens que, segundo dados meteorológicos citados pela Associated Press, alcançavam até 45 mil pés de altitude.

Apesar dessas informações, o NTSB ainda não estabeleceu uma relação entre as condições climáticas e a queda.

Os investigadores também trabalham para recuperar o gravador de voz da cabine, equipamento que pode ajudar a esclarecer os acontecimentos nos instantes anteriores ao acidente. A aeronave era equipada com o dispositivo, mas ainda não há confirmação de que ele poderá ser recuperado.

Segundo o investigador Timothy Monville, a retirada dos principais destroços da cratera aberta na pista representa um dos maiores desafios dos trabalhos. A operação deve durar vários dias.

Até o momento, a causa do acidente não foi determinada. O NTSB ressaltou que as informações divulgadas são preliminares e que a investigação continuará para esclarecer o que provocou a queda e a morte das nove pessoas que estavam a bordo.