O sarampo voltou a exigir atenção das autoridades de saúde no Brasil e em outros países das Américas. A doença é altamente contagiosa e, embora o Brasil mantenha o status de país livre da circulação endêmica do vírus, casos relacionados à importação e cadeias de transmissão localizadas foram registrados em 2026.

De acordo com a atualização mais recente do Ministério da Saúde, até a semana epidemiológica 38 deste ano, o Brasil havia confirmado 42 casos de sarampo. São Paulo concentrava 36 registros, enquanto cinco foram identificados no Amazonas e um no Rio de Janeiro. A pasta ressalta que o país continua sem transmissão sustentada da doença.

O cenário brasileiro ocorre em meio ao aumento de casos nas Américas. O Ministério da Saúde informou que a região registrou, em 2026, o maior número de casos confirmados de sarampo dos últimos 22 anos, com surtos ativos em diferentes países.

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Cobertura vacinal no Ceará

No Ceará, dados levantados pelo Diário do Nordeste a partir da Rede Nacional de Dados em Saúde apontam que 96,45% das crianças de 1 ano receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo em 2026. Já a segunda dose alcançou 84,78% do público.

O percentual da segunda aplicação está abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações. A diferença entre as duas doses também evidencia um dos desafios da vacinação de rotina: garantir que as famílias retornem às unidades de saúde para completar o esquema.

Segundo a coordenadora de Imunização da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Ana Karine Borges, manter a vacinação em dia é importante para evitar a reintrodução de doenças que já tiveram a circulação interrompida no país.

Vacinação é principal forma de prevenção

A vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proteção faz parte da vacina tríplice viral, que também previne caxumba e rubéola.

O Ministério da Saúde orienta que a vacinação seja mantida de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação. Em situações de circulação do vírus, a pasta também pode recomendar estratégias específicas, como a chamada dose zero para crianças de 6 a 11 meses, que não substitui as doses de rotina.

No caso de crianças e adultos com esquema vacinal incompleto, a orientação é procurar uma unidade de saúde para verificar a situação da caderneta e receber as doses indicadas para a faixa etária.

A comprovação da vacinação também é importante. A informação verbal de que uma pessoa recebeu determinado imunizante não substitui o registro na caderneta ou nos sistemas oficiais de vacinação.

Situação no Ceará

A Secretaria da Saúde do Ceará afirma que o Estado não registra casos de sarampo desde 2022. Segundo a pasta, também não há, no momento, casos suspeitos em investigação.

Mesmo sem registros atuais, a Sesa mantém ações de vigilância epidemiológica para identificar rapidamente eventuais casos e evitar a transmissão. A notificação de casos suspeitos é obrigatória para profissionais e serviços de saúde públicos e privados.

A preocupação está relacionada principalmente à possibilidade de introdução do vírus por pessoas infectadas em outras regiões ou países. O Ministério da Saúde destaca que a circulação internacional e a existência de populações com vacinação incompleta aumentam o risco de reintrodução.

Sintomas e transmissão

Os principais sintomas do sarampo incluem febre alta, manchas vermelhas que começam geralmente no rosto e se espalham pelo corpo, tosse, coriza e irritação nos olhos. A doença é transmitida pelas vias respiratórias e apresenta elevado potencial de contágio.

Diante de sintomas compatíveis, especialmente após contato com caso suspeito ou viagem para locais com circulação do vírus, a orientação é procurar atendimento de saúde e informar a equipe sobre a possibilidade de exposição.

Não existe tratamento específico para eliminar o vírus do sarampo. O atendimento é direcionado ao controle dos sintomas e à prevenção de complicações.

Histórico da doença no Brasil

O Brasil recebeu, em 2016, a certificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo. A certificação foi perdida em 2019 após o retorno da transmissão sustentada, em um cenário relacionado principalmente à redução das coberturas vacinais e ao fluxo migratório.

Entre 2018 e 2022, o país registrou 39.816 casos de sarampo e 40 mortes. Após a redução da circulação, o Brasil voltou a receber da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em novembro de 2024, a certificação de eliminação da circulação endêmica do vírus.

Atualmente, a estratégia das autoridades é evitar que casos importados ou isolados voltem a estabelecer uma transmissão sustentada no país. Para isso, a manutenção das coberturas vacinais e a identificação rápida de casos suspeitos permanecem entre as principais medidas de prevenção.