Considerando apenas o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, cada voto nos deputados federais eleitos pelo Ceará demandou entre R$ 4,53 e R$ 53,51 de investimento nas campanhas vitoriosas. Tanto o piso quanto o teto de receitas relativas foram registrados por candidatos do PL. O voto mais econômico foi atribuído a André Fernandes, reeleito para o segundo mandato, enquanto o mais elevado pertenceu a Carmelo Neto, estreante no Congresso Nacional. O levantamento demonstra que o alto investimento financeiro nem sempre representa garantia direta de votos.

As informações foram disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral e consultadas após o encerramento do prazo de prestação de contas de campanha. O balanço refere-se exclusivamente aos valores do Fundo Eleitoral enviados pelas direções nacionais dos partidos aos candidatos no Ceará, sem intermediários. Em alguns casos específicos, como os de Dr. Jaziel e Matheus Noronha, ambos do PL, essa verba representou a totalidade das receitas de campanha. Em outras situações, os investimentos foram complementados por doações, recursos próprios e repasses das direções estaduais.

Em termos absolutos, os 22 representantes do Estado na próxima legislatura dispuseram de R$ 48,1 milhões em Fundo Eleitoral ao longo da campanha, montante que resultou em 3,5 milhões de votos agregados. No grupo masculino, que conta com 17 representantes, a amplitude do custo por voto foi mais acentuada. Já entre as mulheres, o voto mais barato foi o de Tainah Marinho, do PSB, cotado em R$ 6,38, ao passo que o mais caro ficou com Erika Amorim, do Republicanos, no valor de R$ 23,52.

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Contando os dados agregados da nova bancada cearense, a relação geral entre o Fundo Eleitoral utilizado e o total de votos obtidos ficou em R$ 13,74 por eleitor. Pouco mais da metade da nova bancada, totalizando 12 parlamentares, registrou individualmente uma proporção superior a esse patamar médio. O levantamento ressalta que, embora a disponibilidade de um valor menor de recursos públicos indique eficiência inicial, outros fatores influenciam decisivamente o resultado nas urnas.

Entre esses elementos de sustentação política estão o exercício de mandato anterior, a notoriedade pública, a estrutura partidária e o acesso a fontes alternativas de financiamento. Todos os candidatos vitoriosos contavam com estruturas políticas prévias ou redes de apoio consolidadas. Pelo menos 12 parlamentares da nova bancada são incumbentes, a exemplo de Dr. Jaziel, Matheus Noronha, AJ Albuquerque, Danilo Forte, Fernanda Pessoa, Celio Studart, Domingos Neto, Idilvan Alencar, Moses Rodrigues, Roberio Monteiro, Yury do Paredão e André Fernandes.

Outros oito parlamentares já haviam exercido funções em instâncias como a Assembleia Legislativa do Ceará, a Câmara Municipal de Fortaleza, prefeituras ou cargos de destaque. Esse grupo inclui Carmelo Neto, Emanuel Acrizio, Erika Amorim, Giordanna Mano, Nenen Coelho, Acilon Gonçalves, Raimundo Martins e Fernando Santana. Novatos em mandatos eletivos como Tainah Marinho e Luísa Cela nunca ocuparam cargos políticos, mas possuem histórico de disputas ou passagens pela administração pública, além de laços familiares ligados à política.

O ciclo financeiro da disputa eleitoral encerrou-se com a entrega das prestações de contas à Justiça Eleitoral, processo fundamental para verificar a regularidade na aplicação dos recursos públicos e o cumprimento de exigências legais, como o financiamento proporcional por gênero e raça. O prazo de entrega referente ao primeiro turno começou em 5 de outubro e terminou na primeira terça-feira de novembro.