O racismo e as desigualdades sociais podem afetar as oportunidades de aprendizagem das crianças desde os primeiros anos de vida. A conclusão é de uma análise da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, baseada em resultados de uma avaliação internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O estudo avaliou crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola e identificou diferenças no desempenho conforme raça e cor. Em habilidades matemáticas iniciais, por exemplo, crianças pretas alcançaram média de 423 pontos, enquanto crianças brancas registraram 463 pontos. Entre as crianças pardas, a média foi de 447 pontos.
As diferenças aumentam quando a condição socioeconômica também é considerada. Em habilidades matemáticas, a distância chegou a 84 pontos entre crianças pretas, pardas ou indígenas de famílias com baixo nível socioeconômico e crianças brancas ou amarelas de famílias com nível elevado. Também foram identificadas diferenças em memória de trabalho e linguagem.
Segundo a Fundação, raça, cor ou renda não determinam a capacidade de aprendizagem de uma criança. Os resultados refletem desigualdades nas condições de vida, no acesso a direitos, na qualidade dos serviços e nas oportunidades oferecidas durante a primeira infância. A análise defende políticas públicas voltadas à redução dessas diferenças, com atenção especial às crianças em situação de vulnerabilidade.
Fonte: Agência Brasil