O endividamento das famílias brasileiras ficou em 81,6% em outubro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (5) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O resultado representa uma pequena redução em relação a setembro, quando o índice chegou a 81,7%. Apesar da oscilação, o percentual permanece elevado e indica que mais de oito em cada dez famílias brasileiras possuem algum compromisso financeiro a vencer.

A inadimplência, que corresponde à parcela de consumidores com contas em atraso, também apresentou queda. O indicador passou de 29,6% em setembro para 29,3% em outubro, atingindo o menor nível desde o início do ano.

Inadimplência recua, mas dívidas continuam pesando no orçamento

De acordo com a pesquisa, o tempo médio de atraso das dívidas caiu de 65,3 dias, em setembro, para 65,1 dias, em outubro.

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O levantamento também mostra que 48,8% dos débitos em atraso ultrapassam 90 dias. Além disso, 19,3% das famílias brasileiras comprometem mais da metade da renda mensal com o pagamento de dívidas.

Outro dado apontado pela CNC é a redução no percentual de consumidores que se consideram muito endividados, que passou para 16,8% em outubro. Já a parcela de famílias que se consideram pouco endividadas aumentou para 35,8%.

Famílias de menor renda enfrentam maiores dificuldades

A pesquisa aponta que o comprometimento da renda com dívidas e a dificuldade de quitar contas atrasadas são mais expressivos entre as famílias de menor poder aquisitivo.

No grupo que recebe até três salários mínimos, a inadimplência aumentou de 38,5%, em setembro, para 38,6%, em outubro. Nesse mesmo segmento, 18,3% das famílias afirmaram não ter condições de pagar os débitos em atraso.

"O estrato que recebe até três salários mínimos registrou aumento nessa taxa de inadimplência em outubro, subindo para 38,6% (contra 38,5% em setembro). Nesse mesmo segmento mais vulnerável, o percentual de famílias que admitem que não terão condições de quitar seus débitos atrasados fechou o mês em 18,3%", detalhou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Endividamento varia conforme a faixa de renda

Na análise por faixa de rendimento, as famílias que recebem mais de dez salários mínimos apresentaram a maior redução no endividamento. O indicador passou de 71,9%, em setembro, para 71,5%, em outubro.

Por outro lado, entre as famílias com renda de cinco a dez salários mínimos, o percentual avançou de 77,9% para 79,3% no mesmo período.

Em relação à inadimplência, as famílias que recebem até três salários mínimos foram as únicas a registrar aumento, ainda que discreto. Entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, o indicador permaneceu estável em 15%.

Os dados mostram que, apesar da pequena redução no endividamento geral e na inadimplência, as dificuldades para manter as contas em dia continuam concentradas principalmente entre as famílias de menor renda.