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O uso integrado de câmeras de monitoramento e inteligência artificial contribuiu para a elucidação de 292 crimes em Fortaleza entre 17 de agosto e 17 de outubro deste ano. Os dados fazem parte de um balanço das forças de segurança do Ceará e incluem ocorrências de roubos, homicídios, tráfico de drogas, furtos e outros delitos.

De acordo com os números divulgados, os roubos representaram 34% dos casos solucionados, seguidos por homicídios, incluindo tentativas, com 16%, e tráfico de drogas, com 15%. Também foram registrados resultados relacionados a furtos (9%), crimes sexuais (5%) e violência doméstica (2%).

O uso da ferramenta contribuiu para a realização de prisões, a recuperação de veículos roubados e a localização de pessoas desaparecidas.

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Fortaleza conta com 400 câmeras inteligentes

Atualmente, a capital cearense conta com 400 câmeras inteligentes conectadas ao sistema de análise de dados utilizado pelas forças de segurança. A tecnologia pertence à empresa Pax, especializada no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial para a segurança pública.

A ferramenta é utilizada por meio de um acordo de cooperação técnica entre a empresa e a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), que formaliza o período de teste da tecnologia.

Segundo a Pax, 26 unidades das polícias Militar e Civil registraram resultados com o apoio do sistema. Também utilizaram a ferramenta a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) e a Coordenadoria de Inteligência (Coin), vinculadas à SSPDS.

A empresa afirma que os custos da operação durante o período de teste são assumidos por ela, sem despesas para o Governo do Estado.

Como funciona a inteligência artificial?

Na prática, o sistema organiza e cruza diferentes informações já disponíveis ao Estado para produzir alertas que possam auxiliar as equipes policiais.

Entre os dados utilizados estão imagens de câmeras de monitoramento, boletins de ocorrência, mandados de prisão e informações sobre veículos. A análise permite identificar possíveis correspondências e padrões que ajudam os agentes a direcionar buscas e investigações.

Com a tecnologia, as equipes podem ampliar as possibilidades de identificação de suspeitos para além da consulta de placas de veículos e do reconhecimento facial.

Segundo a Pax, a plataforma é operada pelos próprios policiais, enquanto os dados permanecem sob custódia do Estado. A empresa também afirma que as consultas realizadas ficam registradas e podem ser auditadas, além de declarar que não tem acesso às bases de dados dos cidadãos.

A companhia informa ainda possuir certificação ISO/IEC 27001:2022, norma internacional relacionada à gestão da segurança da informação.

Tecnologia já havia sido testada na Expocrato

A utilização da ferramenta no Ceará começou a ser testada anteriormente durante a Expocrato, realizada em julho deste ano. Na ocasião, o sistema de inteligência artificial auxiliou na identificação de 19 pessoas suspeitas de envolvimento em crimes, conforme informações divulgadas à época.

A experiência foi ampliada posteriormente para Fortaleza, onde a integração com câmeras e bases de dados passou a apoiar diferentes unidades das forças de segurança.

Sistema ajudou a localizar homem procurado na Beira-Mar

Um dos casos em que a tecnologia foi utilizada ocorreu na tarde de 7 de setembro, nas proximidades do anfiteatro da avenida Beira-Mar, em Fortaleza.

Em meio à movimentação de pessoas na orla, o sistema identificou um homem procurado pela Justiça e emitiu um alerta para as forças de segurança. O suspeito tinha antecedentes criminais por furto, receptação e tráfico de drogas, além de um mandado de prisão em aberto relacionado à regressão do regime de monitoramento eletrônico para o fechado.

Conforme noticiado pelo Diário do Nordeste na época, o homem, de 40 anos, tentou fugir da abordagem policial e se jogou no mar. Ele foi retirado da água por uma equipe da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer).

O episódio é apontado como um exemplo do uso da ferramenta para auxiliar na localização de pessoas procuradas pela Justiça em locais de grande circulação.

Os resultados divulgados pela segurança pública demonstram a aplicação da tecnologia no apoio às investigações e às operações policiais. A ferramenta, no entanto, atua como recurso auxiliar, e os alertas gerados precisam ser analisados pelos agentes responsáveis pela ocorrência.