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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro.

O pedido também envolve Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, que respondem às mesmas acusações. Cariani está em liberdade enquanto o processo tramita e ainda não foi condenado.

De acordo com um cálculo apresentado pelo advogado criminalista Anderson Almeida, caso a Justiça acolha integralmente os pedidos da acusação e reconheça as condições consideradas na estimativa, a pena pode variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão para cada réu, além de multas.

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Investigação apura desvio de produtos químicos

Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada em dezembro de 2023. A investigação apurou um suposto esquema de desvio de produtos químicos que seriam utilizados na produção de drogas, principalmente cocaína e crack.

Na época, a Polícia Federal apontou que a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa da qual Cariani era sócio e que tem sede em Diadema, na Grande São Paulo, teria fraudado operações comerciais de insumos químicos. Segundo a investigação, parte dos produtos teria sido desviada para o refino de cocaína.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público paulista, a empresa teria simulado, em 59 ocasiões, vendas de produtos para empresas que não haviam feito os pedidos. A acusação afirma ainda que Cariani teria criado pedidos fictícios para justificar a saída dos materiais.

Os promotores também citaram movimentações relacionadas à farmacêutica AstraZeneca, que procurou o Ministério Público após identificar notas fiscais de 2017 referentes a operações com produtos químicos que a empresa afirmou não reconhecer.

Na denúncia, a acusação afirma que Cariani teria autorizado a retirada de produtos químicos fora do horário de expediente e apresentado documentos que seriam falsos para comprovar a operação. Essas alegações fazem parte do processo e ainda dependem de julgamento.

Mensagens de celular são citadas pela acusação

Segundo o Gaeco, mensagens extraídas do celular de Cariani indicariam uma relação próxima com o policial civil Anadré Dziuba, ligado à fiscalização de produtos químicos utilizados no refino de drogas.

Os promotores afirmam que o influenciador recebia informações sobre diligências, comentava situações relacionadas à fiscalização e sugeria empresas que poderiam ser fiscalizadas. Para o Ministério Público, as conversas indicariam uma tentativa de proteger o grupo investigado e prejudicar possíveis concorrentes.

A acusação também cita uma mensagem na qual Cariani teria afirmado que determinada substância era utilizada para aumentar o rendimento da cocaína. Para os promotores, o conteúdo demonstraria conhecimento sobre a possível destinação dos insumos.

As interpretações das mensagens e os demais elementos reunidos pela investigação serão analisados pela Justiça durante o processo.

Defesa afirma que vai contestar as acusações

Em nota, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, afirmou que recebeu com naturalidade o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público.

A defesa declarou que a manifestação dos promotores corresponde à posição que eles sustentam desde o início da ação penal. Também informou que pretende responder aos argumentos da acusação na fase de alegações finais, utilizando as provas produzidas ao longo da instrução processual.

Os advogados afirmaram confiar em um julgamento baseado na análise das provas e manifestaram convicção de que Cariani será absolvido.

O g1 também informou que tentava contato com as defesas de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.

Ministério Público pede absolvição de outras investigadas

Apesar de solicitar a condenação dos três réus, o Gaeco pediu à Justiça a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira. As duas também foram mencionadas durante as investigações.

Fábio Spínola Mota é apontado pela acusação como um dos responsáveis por depósitos em espécie na conta da Anidrol relacionados a operações atribuídas à AstraZeneca. Segundo os investigadores, ele também teria criado um endereço de e-mail falso em nome de um suposto funcionário da farmacêutica para viabilizar negociações.

A acusação aponta ainda que Spínola teria atuado como intermediário no fornecimento dos produtos químicos e negociado entregas destinadas ao tráfico de drogas.

Quem é Renato Cariani

Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram e cerca de 8 milhões no YouTube, Renato Cariani é conhecido por produzir conteúdo sobre musculação, dieta, fisiculturismo e treinamento físico. Ele também se apresenta nas redes sociais como professor de química, profissional de educação física, atleta e empresário.

O influenciador foi investigado no âmbito da Operação Hinsberg, que apurou o suposto desvio de insumos químicos para a produção de entorpecentes.

Cariani responde às acusações em liberdade. O pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público não representa uma decisão judicial, e o desfecho do processo dependerá do julgamento das provas e dos argumentos das partes.