O Ceará registrou um aumento no número de casos confirmados de Mpox em outubro de 2026. Dados da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), com registros de início dos sintomas até 28 de outubro, apontam 18 confirmações da doença neste ano, das quais 13 foram registradas somente no mês passado.

O número representa aproximadamente 72% de todos os casos confirmados no Estado em 2026. Antes de outubro, haviam sido contabilizados cinco registros: três em fevereiro, um em março e outro em julho. As novas confirmações foram identificadas entre os dias 10 e 27 de outubro.

Fortaleza concentra a maior parte dos casos, com 16 confirmações. Os outros dois registros foram identificados nos municípios de Paracuru e Solonópole, com um caso em cada cidade.

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Casos superam total registrado em 2025

O levantamento também permite observar a evolução da doença nos últimos anos. Em 2022, durante o período de maior circulação da Mpox no Ceará, foram registrados 429 casos confirmados. Nos anos seguintes, os números apresentaram redução.

Em 2025, o Estado contabilizou 13 confirmações durante todo o ano. Com os 18 registros de 2026, o Ceará já supera esse total em cinco casos, o que representa um aumento de aproximadamente 38,5%.

O perfil dos pacientes também chama a atenção. Todos os 18 casos confirmados neste ano são de pessoas do sexo masculino.

A maior concentração está na faixa etária de 20 a 29 anos, com oito registros, seguida pelo grupo de 30 a 39 anos, com sete confirmações. Outros dois casos foram identificados entre pessoas de 40 a 49 anos e um entre pacientes de 50 a 59 anos.

Quais são os sintomas da Mpox?

A Mpox, anteriormente conhecida como monkeypox ou varíola dos macacos, é uma doença viral caracterizada principalmente pelo aparecimento de erupções cutâneas e lesões na pele, que podem surgir nos órgãos genitais, na boca e em outras partes do corpo.

Entre os principais sintomas estão:

  • Erupções cutâneas e lesões na pele;

  • Inchaço dos gânglios linfáticos, conhecido como ínguas;

  • Febre;

  • Dores no corpo;

  • Dor de cabeça;

  • Calafrios;

  • Fraqueza.

Os sintomas geralmente duram de duas a quatro semanas. As lesões costumam começar como pequenas bolhas, que evoluem para feridas e, posteriormente, formam crostas até a cicatrização.

Em alguns casos, a febre e o aumento dos gânglios linfáticos podem aparecer antes das lesões na pele.

Crianças, gestantes e pessoas imunodeprimidas apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença, que podem incluir complicações como pneumonia e inflamações do sistema nervoso.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão da Mpox acontece principalmente pelo contato direto com lesões na pele, fluidos corporais e secreções de pessoas infectadas. Objetos recentemente contaminados, como roupas, toalhas e lençóis, também podem representar risco de transmissão.

De acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus desde o início dos sintomas até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas.

O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais, como testes moleculares ou sequenciamento genético. A coleta do material é feita, preferencialmente, a partir da secreção das lesões. Quando elas já estão secas, os profissionais de saúde podem utilizar as crostas para análise.

As amostras são encaminhadas para laboratórios de referência responsáveis pela confirmação da infecção.

Mpox tem cura? Como funciona o tratamento?

A Mpox é considerada uma doença autolimitada, ou seja, na maioria dos casos, o organismo consegue combater a infecção e os sintomas desaparecem em algumas semanas.

Não existe, atualmente, um medicamento específico aprovado para o tratamento da doença. A assistência médica é voltada principalmente para o alívio dos sintomas, a prevenção de complicações e os cuidados clínicos de suporte.

Pessoas com baixa imunidade, crianças e gestantes precisam de atenção especial, pois apresentam maior possibilidade de desenvolver complicações e podem necessitar de acompanhamento médico mais próximo.

Como se prevenir da Mpox?

As principais medidas de prevenção envolvem evitar o contato direto com lesões de pessoas infectadas, manter a higiene das mãos e não compartilhar objetos de uso pessoal.

Confira as recomendações:

  • Higienize frequentemente as mãos com água e sabão ou álcool em gel, principalmente após o contato com pessoas infectadas;

  • Evite compartilhar toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente, talheres e outros objetos pessoais;

  • Lave roupas, toalhas e lençóis que possam ter entrado em contato com lesões ou secreções de pessoas infectadas;

  • Limpe e desinfete superfícies que possam estar contaminadas;

  • Evite contato direto com as lesões de pele de pessoas com suspeita ou confirmação da doença;

  • Utilize luvas descartáveis caso seja necessário tocar em feridas ou materiais contaminados;

  • Pessoas com suspeita ou confirmação de Mpox devem cumprir isolamento e evitar contato próximo com outras pessoas até o fim do período de transmissão.

Orientações para pessoas dos grupos de risco

O infectologista Danilo Campos recomenda atenção redobrada para os grupos mais vulneráveis, especialmente gestantes, crianças e pessoas imunodeprimidas.

A orientação é evitar deslocamentos para locais com alta incidência da doença e reduzir a exposição a situações de maior risco de transmissão. O uso de preservativos também é recomendado como medida de proteção durante as relações sexuais, embora não elimine completamente o risco de contágio, já que a transmissão pode ocorrer pelo contato com outras áreas da pele infectadas.

Diante de sintomas suspeitos, a recomendação é procurar uma unidade de saúde para avaliação e orientação médica.