O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, em decorrência de uma pneumonia. A informação foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual ele fazia parte desde 2014.
Zuenir Ventura nasceu em 1º de junho de 1931, no município de Além Paraíba, em Minas Gerais. Aos 11 anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde construiu grande parte de sua trajetória profissional.
Antes de ingressar na universidade, o jornalista exerceu diferentes atividades profissionais, trabalhando como pintor, faxineiro e balconista. Em 1954, ingressou no curso de Letras Neolatinas da então Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Foi durante esse período que também começou a atuar no jornalismo. Ao longo de décadas de carreira, passou por importantes veículos de comunicação, entre eles O Cruzeiro, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil.
Obra de destaque
Como escritor, Zuenir Ventura ficou especialmente conhecido pelo livro "1968: o Ano Que Não Terminou". Publicada originalmente em 1988, a obra apresenta uma análise dos principais acontecimentos daquele ano, considerado um período de intensas transformações políticas, sociais e culturais no Brasil e no mundo.
O livro foi revisado e ganhou novas edições nos anos 2000. Na obra, o autor reúne acontecimentos políticos e sociais e também aborda manifestações culturais que marcaram o período.
Outra publicação de destaque foi "Cidade Partida", lançada em 1994. O livro trata das desigualdades sociais e da violência no Rio de Janeiro, a partir de uma análise da realidade de diferentes grupos da cidade.
Reconhecimento
Ao longo da carreira, Zuenir Ventura recebeu importantes prêmios por seu trabalho jornalístico e literário. Em 1995, conquistou o segundo lugar na categoria reportagem do Prêmio Jabuti com o livro "Cidade Partida".
O jornalista também recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog pelas reportagens "O Acre de Chico Mendes", publicadas no Jornal do Brasil em 1989.
Em reconhecimento à sua trajetória na imprensa e na literatura, Zuenir foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2014. Ele passou a ocupar a cadeira nº 32, anteriormente pertencente ao escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, que morreu naquele mesmo ano.
A entrada na ABL marcou mais uma etapa de uma carreira que reuniu jornalismo, literatura e análise da realidade brasileira. Zuenir Ventura deixa uma produção que atravessa diferentes períodos da história recente do país e registra acontecimentos políticos, sociais e culturais que marcaram gerações.